Vítimas denunciam maior Golpe Imobiliário do Extremo Sul Catarinense

Estimativa é de que empresário araranguaense tenha prejudicado mais de 300 pessoas com prejuízo de quase R$200 milhões

O jovem que parecia promissor começa a mostrar suas garras quando a ganância ultrapassa o bom senso e a vida dos outros não lhe importa mais. Tudo o que toca deixa de virar ouro para gerar sofrimento às pessoas de bem desde 2018 quando inicia uma verdadeira estratégia criminosa para aumentar seu patrimônio e ostentar fortuna vendendo imóveis em loteamentos em Araranguá de maneira irregular e maldosa.

Tudo veio à tona em 2021. Algumas vítimas ao tentarem se apropriar dos terrenos que haviam comprado dele, acabaram descobrindo que o mesmo imóvel teria sido vendido para outras vítimas. Alguns imóveis chegam a ter oito proprietários diferentes que acreditaram na lábia do criminoso e seus comparsas, e através de um simples contrato firmaram o negócio.

Ao que se tem conhecimento, pelo menos cinco loteamentos diferentes e cerca de 300 pessoas foram lesadas nos últimos anos. Segundo um levantamento feito pelas vítimas, o jovem que dificilmente é encontrado para dar explicações, além de sua esposa e familiares, e os sócios em alguns dos empreendimentos, lucraram cerca de R$200 milhões com os golpes.

Dois amigos de uma cidade vizinha a Araranguá que preferem não ser identificados, compraram cinquenta lotes do grupo. O prejuízo é de mais de R$1,5 milhão. “Só fui desconfiar quando vi a placa de venda em alguns dos terrenos que compramos de imobiliárias diferentes. Quando entrei em contato, disseram que já tinha outro proprietário. Nunca desconfiamos porque ele nos pareceu alguém honesto e com boas intenções no primeiro momento. Nosso objetivo era fazer investimento com a compra e hoje estamos vivendo um pesadelo”, disse um dos amigos.

A lista de pessoas lesadas ultrapassa àqueles que compraram imóveis. Profissionais do ramo imobiliário também estão entre os prejudicados. O corretor, Fernando Maciel, vendeu em um dos loteamentos anunciados pelo golpista, sete terrenos. “Vendi os lotes para uma família de Criciúma que pretendia fazer investimentos aqui na cidade. Como o loteamento ainda não tinha escritura, a negociação aconteceu com contrato, o que é comum nestes casos. Os loteadores vendem no contrato até sair a escritura do empreendimento e cada comprador ter sua matrícula. Mas não imaginava que neste caso seria diferente. Fomos todos atraídos criminosamente”, desabafou o profissional.

A identidade do golpista e seus comparsas não será revelada, porque a polícia já tem conhecimento do caso e passará a investigar os detalhes. De acordo com a advogada, Chirli Lucktemberg, a mesma prática pode estar sendo aplicada em outras regiões de Santa Catarina pelo grupo. “Tive conhecimento que outros empreendimentos estão sendo vendidos no Oeste do Estado. O mesmo pode estar acontecendo com outras pessoas”, relatou a profissional que também está entre as vítimas. Outros familiares de Chirli também foram atraídos e caíram no golpe.

 

Modo de operação

Em um primeiro momento, pelo menos quatro loteamentos estão entre os oferecidos na cidade pelo golpista. Um deles, que atraiu vários interessados foi oferecido pelo valor de R$50 mil cada lote e está localizado ao lado de outro loteamento de luxo na cidade. A sociedade com uma família conhecida e tradicional da região deu credibilidade ao negócio.

O valor e as referências atraiu muitos interessados como a do filho do senhor Enio Serafim Araújo. O rapaz que foi em busca de uma vida melhor no exterior, tinha um único bem: um apartamento situado no bairro, Mato Alto. A proposta do golpista foi trocar o apartamento por três terrenos no loteamento. Logo, a ideia foi aceita e pareceu vantajosa. “Ele obrigou o meu filho a transferir o apartamento sob ameaça. Meu filho caiu na lábia dele, e nunca viu os terrenos. Também comprou mais dois terrenos em outro loteamento com o pouco que tinha economizado no trabalho. Muito triste o que estamos vivendo”, contou à reportagem da W3 News.

O advogado, Ronaldo Marcelino, fez uma busca apurada da situação do golpista e seus familiares que já não tem bens registrados em seus nomes. Além das vítimas individuais, empresas da região também figuram entre os lesados e já se apura a situação de uma indústria de Arroz em Meleiro e uma incorporadora de Forquilhinha.

Marcelino verificou a situação de alguns imóveis adquiridos pelo golpista. “Temos provas que ele comprou imóveis pelo dobro do valor que valiam com outras pessoas envolvidas, com o registro constando o valor real. Isso nos dá a impressão que ele se utiliza deste mecanismo para uma espécie de ‘fabrica de dinheiro’ sem precisar declarar a fortuna”.

 

Vítimas querem Justiça

Na segunda, 13, um grupo de quarenta pessoas vítimas dos golpes em Araranguá se reuniu para discutir os encaminhamentos que serão dados a partir de agora. Além de reaver o dinheiro investido em bens não existentes, eles querem Justiça. O encontro contou ainda com a participação de advogados.

Os relatos comovem pela inocência das vítimas e perspicácia do golpista que segundo informações tem andado ultimamente acompanhado de seguranças para proteção individual. As vítimas devem reunir documentos e iniciar procedimentos jurídicos em conjunto nos próximos dias.

 

Delegado não descarta formação de quadrilha

O delegado responsável pelo 1º DP de Araranguá, Bruno Sinibaldi, ao ter conhecimento dos fatos relatados pelas vítimas não descarta a possibilidade dos crimes praticados pelo golpista terem outros envolvidos e se caracterizar formação de quadrilha. As investigações devem apurar os detalhes e esclarecer a situação pois além de empresários conhecidos na cidade, corretores de imóveis, os seus familiares aparecem no esquema criminoso.

Para o delegado, além de estelionato, podem ter ocorridos outros crimes. “Precisamos apurar os fatos detalhadamente e analisar toda a situação. Ouvirei todas as vítimas e seus relatos”, afirmou Sinibaldi.

As vítimas relataram situações que podem configurar diversos crimes, entre eles de competência da Polícia Federal. Os detalhes dos encaminhamentos a serem dados não serão divulgados com o objetivo de proteger as vítimas e as provas.

O jovem que parecia promissor começa a mostrar suas garras quando a ganância ultrapassa o bom senso e a vida dos outros não lhe importa mais. Tudo o que toca deixa de virar ouro para gerar sofrimento às pessoas de bem desde 2018 quando inicia uma verdadeira estratégia criminosa para aumentar seu patrimônio e ostentar fortuna vendendo imóveis em loteamentos em Araranguá de maneira irregular e maldosa.

Tudo veio à tona em 2021. Algumas vítimas ao tentarem se apropriar dos terrenos que haviam comprado dele, acabaram descobrindo que o mesmo imóvel teria sido vendido para outras vítimas. Alguns imóveis chegam a ter oito proprietários diferentes que acreditaram na lábia do criminoso e seus comparsas, e através de um simples contrato firmaram o negócio.

Ao que se tem conhecimento, pelo menos cinco loteamentos diferentes e cerca de 300 pessoas foram lesadas nos últimos anos. Segundo um levantamento feito pelas vítimas, o jovem que dificilmente é encontrado para dar explicações, além de sua esposa e familiares, e os sócios em alguns dos empreendimentos, lucraram cerca de R$200 milhões com os golpes.

Dois amigos de uma cidade vizinha a Araranguá que preferem não ser identificados, compraram cinquenta lotes do grupo. O prejuízo é de mais de R$1,5 milhão. “Só fui desconfiar quando vi a placa de venda em alguns dos terrenos que compramos de imobiliárias diferentes. Quando entrei em contato, disseram que já tinha outro proprietário. Nunca desconfiamos porque ele nos pareceu alguém honesto e com boas intenções no primeiro momento. Nosso objetivo era fazer investimento com a compra e hoje estamos vivendo um pesadelo”, disse um dos amigos.

A lista de pessoas lesadas ultrapassa àqueles que compraram imóveis. Profissionais do ramo imobiliário também estão entre os prejudicados. O corretor, Fernando Maciel, vendeu em um dos loteamentos anunciados pelo golpista, sete terrenos. “Vendi os lotes para uma família de Criciúma que pretendia fazer investimentos aqui na cidade. Como o loteamento ainda não tinha escritura, a negociação aconteceu com contrato, o que é comum nestes casos. Os loteadores vendem no contrato até sair a escritura do empreendimento e cada comprador ter sua matrícula. Mas não imaginava que neste caso seria diferente. Fomos todos atraídos criminosamente”, desabafou o profissional.

A identidade do golpista e seus comparsas não será revelada, porque a polícia já tem conhecimento do caso e passará a investigar os detalhes. De acordo com a advogada, Chirli Lucktemberg, a mesma prática pode estar sendo aplicada em outras regiões de Santa Catarina pelo grupo. “Tive conhecimento que outros empreendimentos estão sendo vendidos no Oeste do Estado. O mesmo pode estar acontecendo com outras pessoas”, relatou a profissional que também está entre as vítimas. Outros familiares de Chirli também foram atraídos e caíram no golpe.

 

Modo de operação

Em um primeiro momento, pelo menos quatro loteamentos estão entre os oferecidos na cidade pelo golpista. Um deles, que atraiu vários interessados foi oferecido pelo valor de R$50 mil cada lote e está localizado ao lado de outro loteamento de luxo na cidade. A sociedade com uma família conhecida e tradicional da região deu credibilidade ao negócio.

O valor e as referências atraiu muitos interessados como a do filho do senhor Enio Serafim Araújo. O rapaz que foi em busca de uma vida melhor no exterior, tinha um único bem: um apartamento situado no bairro, Mato Alto. A proposta do golpista foi trocar o apartamento por três terrenos no loteamento. Logo, a ideia foi aceita e pareceu vantajosa. “Ele obrigou o meu filho a transferir o apartamento sob ameaça. Meu filho caiu na lábia dele, e nunca viu os terrenos. Também comprou mais dois terrenos em outro loteamento com o pouco que tinha economizado no trabalho. Muito triste o que estamos vivendo”, contou à reportagem da W3 News.

O advogado, Ronaldo Marcelino, fez uma busca apurada da situação do golpista e seus familiares que já não tem bens registrados em seus nomes. Além das vítimas individuais, empresas da região também figuram entre os lesados e já se apura a situação de uma indústria de Arroz em Meleiro e uma incorporadora de Forquilhinha.

Marcelino verificou a situação de alguns imóveis adquiridos pelo golpista. “Temos provas que ele comprou imóveis pelo dobro do valor que valiam com outras pessoas envolvidas, com o registro constando o valor real. Isso nos dá a impressão que ele se utiliza deste mecanismo para uma espécie de ‘fabrica de dinheiro’ sem precisar declarar a fortuna”.

 

Vítimas querem Justiça

Na segunda, 13, um grupo de quarenta pessoas vítimas dos golpes em Araranguá se reuniu para discutir os encaminhamentos que serão dados a partir de agora. Além de reaver o dinheiro investido em bens não existentes, eles querem Justiça. O encontro contou ainda com a participação de advogados.

Os relatos comovem pela inocência das vítimas e perspicácia do golpista que segundo informações tem andado ultimamente acompanhado de seguranças para proteção individual. As vítimas devem reunir documentos e iniciar procedimentos jurídicos em conjunto nos próximos dias.

 

Delegado não descarta formação de quadrilha

O delegado responsável pelo 1º DP de Araranguá, Bruno Sinibaldi, ao ter conhecimento dos fatos relatados pelas vítimas não descarta a possibilidade dos crimes praticados pelo golpista terem outros envolvidos e se caracterizar formação de quadrilha. As investigações devem apurar os detalhes e esclarecer a situação pois além de empresários conhecidos na cidade, corretores de imóveis, os seus familiares aparecem no esquema criminoso.

Para o delegado, além de estelionato, podem ter ocorridos outros crimes. “Precisamos apurar os fatos detalhadamente e analisar toda a situação. Ouvirei todas as vítimas e seus relatos”, afirmou Sinibaldi.

As vítimas relataram situações que podem configurar diversos crimes, entre eles de competência da Polícia Federal. Os detalhes dos encaminhamentos a serem dados não serão divulgados com o objetivo de proteger as vítimas e as provas.

Compartilhe

Voltar às notícias