Vítimas de feminicídio no Vale não tinham registro de B.Os por violência doméstica

Portal W3 procurou o delegado Thiago Reis, que atualmente está em exercício na DPCAMI de Araranguá, para averiguar situação. Confira:

Foto: Dyessica Abadi/Portal W3

Por Dyessica Abadi

O cenário nacional registra um aumento no número de casos de homicídio por feminicídio durante o período de pandemia do Covid-19. Apenas na última semana, foram registrados dois crimes do gênero na região do Vale de Araranguá: nesta quinta-feira, 10, uma mulher foi morta a tiros pelo ex-marido, que se suicidou logo após, em Balneário Arroio do Silva. Na última segunda-feira, 07, outra mulher foi morta a facadas pelo companheiro que está foragido, no bairro Lagoão, em Araranguá.

O Portal W3 procurou o delegado Thiago Fernandes dos Santos Reis, que atualmente está em exercício na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Araranguá, para descobrir se houve um aumento no número de casos de feminicídio na região. "Crimes são muito relativos, às vezes chegam momentos que ocorrerem mais tipos de crimes, isso é totalmente aleatório. O importante é analisarmos esse cenário à longo prazo e, aqui para nossa região, não há nada que fuja da normalidade", explica.

Entretanto, o atual responsável pela pasta revela: "Na verdade, o feminicídio é uma das principais ocorrência de homicídio. Ao longo do tempo de experiência que eu tenho na polícia, a principal causa de homicídio que eu já investiguei foi relacionado à tráfico de drogas; A segunda, foi envolvendo relacionamentos. Pelo menos na minha experiência, é a segunda causa mais comum". O delegado Thiago Reis já atua há mais de dez anos na Segurança Pública.

A DPCAMI também é responsável por atender casos de violência envolvendo crianças e idosos. Entretanto, a grande maioria das denúncias são relacionadas às mulheres. "A grande maioria das denúncias é violência doméstica contra a mulher. Geralmente é relacionado com o fim de um relacionamento, ou com uma sequência de agressões que acaba gerando o rompimento", informa o delegado.

Neste ano, DPCAMI tem menos inquéritos de violência contra a mulher


Até esta sexta-feira, 11 de setembro, existem 202 inquéritos na comarca de Araranguá sobre casos de violência contra a mulher. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, são 86 a menos. Em 2019, esse número era de 288 — ou seja, houve uma queda de 29,8% no número de denúncias para crimes desse gênero.

Para o delegado em exercício na DPCAMI, Thiago Reis, a pandemia pode ser uma explicação possível para essa redução dos registros. "Na experiência que eu tenho, grande parte dos registros que precisam de representação (quando depende da vítima para prosseguir), uma discussão, suposta ameaça, ou insultos contra a honra, a pessoa desiste depois. Então, uma das hipóteses para explicar a redução é que a pandemia de Covid-19 pode ter gerado certa dificuldade aos registros, fazendo com que vítimas não levem ao conhecimento da Polícia fatos de pequena gravidade", explica o responsável pela pasta.

Entretanto, muitas mulheres ainda tem o receio de denunciar o agressor. À exemplo disso, está o fato das duas vítimas de feminicídio do início da matéria nunca terem denunciado seus agressores — tanto a vítima de Balneário Arroio do Silva, quanto a vítima de Araranguá, não têm histórico de registros de Boletins de Ocorrência (B.O.) por violência doméstica.

Se você é vítima de violência doméstica, ou presencia situações em a mulher corre esse risco, denuncie. Estabelecimentos como hotéis, motéis, bares, restaurantes, clubes, entre outros, são obrigados a divulgar o serviço nacional Disque 180, que fornece informações sobre o tema e orienta as mulheres a fazerem a denúncia.

Você também pode registrar Boletim de Ocorrência através da Delegacia de Polícia Virtual clicando aqui. Para casos mais graves, em que a vítima corre sério risco de vida, o mais indicado é procurar a delegacia local responsável pela pasta.

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Foto: Dyessica Abadi/Portal W3

Por Dyessica Abadi

O cenário nacional registra um aumento no número de casos de homicídio por feminicídio durante o período de pandemia do Covid-19. Apenas na última semana, foram registrados dois crimes do gênero na região do Vale de Araranguá: nesta quinta-feira, 10, uma mulher foi morta a tiros pelo ex-marido, que se suicidou logo após, em Balneário Arroio do Silva. Na última segunda-feira, 07, outra mulher foi morta a facadas pelo companheiro que está foragido, no bairro Lagoão, em Araranguá.

O Portal W3 procurou o delegado Thiago Fernandes dos Santos Reis, que atualmente está em exercício na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Araranguá, para descobrir se houve um aumento no número de casos de feminicídio na região. “Crimes são muito relativos, às vezes chegam momentos que ocorrerem mais tipos de crimes, isso é totalmente aleatório. O importante é analisarmos esse cenário à longo prazo e, aqui para nossa região, não há nada que fuja da normalidade”, explica.

Entretanto, o atual responsável pela pasta revela: “Na verdade, o feminicídio é uma das principais ocorrência de homicídio. Ao longo do tempo de experiência que eu tenho na polícia, a principal causa de homicídio que eu já investiguei foi relacionado à tráfico de drogas; A segunda, foi envolvendo relacionamentos. Pelo menos na minha experiência, é a segunda causa mais comum”. O delegado Thiago Reis já atua há mais de dez anos na Segurança Pública.

A DPCAMI também é responsável por atender casos de violência envolvendo crianças e idosos. Entretanto, a grande maioria das denúncias são relacionadas às mulheres. “A grande maioria das denúncias é violência doméstica contra a mulher. Geralmente é relacionado com o fim de um relacionamento, ou com uma sequência de agressões que acaba gerando o rompimento”, informa o delegado.

Neste ano, DPCAMI tem menos inquéritos de violência contra a mulher

Até esta sexta-feira, 11 de setembro, existem 202 inquéritos na comarca de Araranguá sobre casos de violência contra a mulher. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, são 86 a menos. Em 2019, esse número era de 288 — ou seja, houve uma queda de 29,8% no número de denúncias para crimes desse gênero.

Para o delegado em exercício na DPCAMI, Thiago Reis, a pandemia pode ser uma explicação possível para essa redução dos registros. “Na experiência que eu tenho, grande parte dos registros que precisam de representação (quando depende da vítima para prosseguir), uma discussão, suposta ameaça, ou insultos contra a honra, a pessoa desiste depois. Então, uma das hipóteses para explicar a redução é que a pandemia de Covid-19 pode ter gerado certa dificuldade aos registros, fazendo com que vítimas não levem ao conhecimento da Polícia fatos de pequena gravidade”, explica o responsável pela pasta.

Entretanto, muitas mulheres ainda tem o receio de denunciar o agressor. À exemplo disso, está o fato das duas vítimas de feminicídio do início da matéria nunca terem denunciado seus agressores — tanto a vítima de Balneário Arroio do Silva, quanto a vítima de Araranguá, não têm histórico de registros de Boletins de Ocorrência (B.O.) por violência doméstica.

Se você é vítima de violência doméstica, ou presencia situações em a mulher corre esse risco, denuncie. Estabelecimentos como hotéis, motéis, bares, restaurantes, clubes, entre outros, são obrigados a divulgar o serviço nacional Disque 180, que fornece informações sobre o tema e orienta as mulheres a fazerem a denúncia.

Você também pode registrar Boletim de Ocorrência através da Delegacia de Polícia Virtual clicando aqui. Para casos mais graves, em que a vítima corre sério risco de vida, o mais indicado é procurar a delegacia local responsável pela pasta.

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