Blog Léia Batista: Tava na Cara, na Casca, no Tronco!

Antigamente era comum e, até, poético desenhar coraçõezinhos flechados com as iniciais dos enamorados em troncos de árvores. O ato era praticamente uma confissão, um registro de um momento de emoção que um dos amantes (ou os dois) queria eternizar e, ao mesmo tempo, ocultar, disfarçar entre as fissuras do tronco como um tesouro, que mesmo que alguém encontrasse talvez nunca o decifrasse.

Da timidez dita repressora chegamos à era do exibicionismo dito libertário. Vivemos o momento em que as pessoas querem ser vistas a qualquer custo em todos os momentos de suas vidas, ainda que sejam momentos pessoais que, por sensatez, deveriam interessar somente aos íntimos. Seguindo por esse viés, visitar pontos turísticos deixou de ser um sonho ou o desejo de conhecer pessoalmente lugares cheios de história e emoção para virar uma espécie de gincana de quem viu mais, quem fotografou mais, quem publicou mais. Perdeu-se a sensibilidade e a poesia para adotar a superficialidade e a ignorância.

Um questão de evolução que quem ousa discutir é louco ou no mínimo retrógrado. Uma questão de falta de educação, eu digo, no sentido literal da palavra. Nesse movimento de libertação e expansão social, educar virou um bicho de dezenas de cabeças. Cada cabeça do monstro educação é uma linha a ser discutida, desfeita, descartada, criticada...educar nessa era libertária é uma tarefa para heróis que não foram treinados.

Por que falo de educação quando iniciei falando em árvore? Porque quando vi que a bela e solitária árvore da cidade interiorana, em que nasci e ainda vivo, havia sido descoberta e compartilhada na internet, eu fiz as seguintes perguntas: As pessoas querem registrar fotos com a árvore por que ela é bela ou por que ficou famosa? As pessoas desejam ficar famosas ao registrar fotos com a árvore por que ela é bela? Se não tivesse bombado na rede a árvore teria ficado famosa? Eu antevi a ignorância de pessoas que não foram “educadas” para apreciar a natureza, e sim apenas postar uma foto junto a ela nas redes sociais.

Eu “cantei a pedra”. Não é preciso ser vidente para saber o que aconteceria com a bela árvore, que o fato dela ter sidos esfaqueada com o propósito de registrar em seu tronco a inicial do nome de um ser desprovido de inteligência e sensibilidade, era previsível. Vemos pessoas brigando pelo direito de transitar de automóvel à beira do mar, de ir assim até a barra do rio, de fazer festinhas à todo volume no farol e na rampa de parapente...o que se pode esperar que façam com uma árvore?

Falta bom senso! Falta conhecimento! Falta inteligência! Falta educação! Enquanto pessoas se acharem sábias com os conteúdos extraídos e copiados das redes sociais, a natureza se resumirá a um objeto de exibicionismo apenas, árvores serão esfaqueadas, praias serão poluídas, paraísos serão destruídos. Tava na cara, na casca, no tronco...eu vi o crime sendo cometido antes dele acontecer e tentei avisar. A culpa é de todos! A bela árvore solitária perdeu a beleza e a paz quando foi invadida. Agora foi estuprada e, como se não bastasse, tatuada com a inicial do agressor, com a marca da era do emburrecimento.

Enquanto nada é feito, só me resta ser louca (ou retrógrada), e poetizar sobre o tempo em que árvores eternizavam, com sabedoria e poesia, a sensibilidade e o amor.

Confira mais crônicas no www.leiabatista.com.br

Foto: Daiane Coelho

Antigamente era comum e, até, poético desenhar coraçõezinhos flechados com as iniciais dos enamorados em troncos de árvores. O ato era praticamente uma confissão, um registro de um momento de emoção que um dos amantes (ou os dois) queria eternizar e, ao mesmo tempo, ocultar, disfarçar entre as fissuras do tronco como um tesouro, que mesmo que alguém encontrasse talvez nunca o decifrasse.

Da timidez dita repressora chegamos à era do exibicionismo dito libertário. Vivemos o momento em que as pessoas querem ser vistas a qualquer custo em todos os momentos de suas vidas, ainda que sejam momentos pessoais que, por sensatez, deveriam interessar somente aos íntimos. Seguindo por esse viés, visitar pontos turísticos deixou de ser um sonho ou o desejo de conhecer pessoalmente lugares cheios de história e emoção para virar uma espécie de gincana de quem viu mais, quem fotografou mais, quem publicou mais. Perdeu-se a sensibilidade e a poesia para adotar a superficialidade e a ignorância.

Um questão de evolução que quem ousa discutir é louco ou no mínimo retrógrado. Uma questão de falta de educação, eu digo, no sentido literal da palavra. Nesse movimento de libertação e expansão social, educar virou um bicho de dezenas de cabeças. Cada cabeça do monstro educação é uma linha a ser discutida, desfeita, descartada, criticada…educar nessa era libertária é uma tarefa para heróis que não foram treinados.

Por que falo de educação quando iniciei falando em árvore? Porque quando vi que a bela e solitária árvore da cidade interiorana, em que nasci e ainda vivo, havia sido descoberta e compartilhada na internet, eu fiz as seguintes perguntas: As pessoas querem registrar fotos com a árvore por que ela é bela ou por que ficou famosa? As pessoas desejam ficar famosas ao registrar fotos com a árvore por que ela é bela? Se não tivesse bombado na rede a árvore teria ficado famosa? Eu antevi a ignorância de pessoas que não foram “educadas” para apreciar a natureza, e sim apenas postar uma foto junto a ela nas redes sociais.

Eu “cantei a pedra”. Não é preciso ser vidente para saber o que aconteceria com a bela árvore, que o fato dela ter sidos esfaqueada com o propósito de registrar em seu tronco a inicial do nome de um ser desprovido de inteligência e sensibilidade, era previsível. Vemos pessoas brigando pelo direito de transitar de automóvel à beira do mar, de ir assim até a barra do rio, de fazer festinhas à todo volume no farol e na rampa de parapente…o que se pode esperar que façam com uma árvore?

Falta bom senso! Falta conhecimento! Falta inteligência! Falta educação! Enquanto pessoas se acharem sábias com os conteúdos extraídos e copiados das redes sociais, a natureza se resumirá a um objeto de exibicionismo apenas, árvores serão esfaqueadas, praias serão poluídas, paraísos serão destruídos. Tava na cara, na casca, no tronco…eu vi o crime sendo cometido antes dele acontecer e tentei avisar. A culpa é de todos! A bela árvore solitária perdeu a beleza e a paz quando foi invadida. Agora foi estuprada e, como se não bastasse, tatuada com a inicial do agressor, com a marca da era do emburrecimento.

Enquanto nada é feito, só me resta ser louca (ou retrógrada), e poetizar sobre o tempo em que árvores eternizavam, com sabedoria e poesia, a sensibilidade e o amor.

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Foto: Daiane Coelho

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