Reportagem Especial: Cultura araranguaense sobrevivendo em meio à pandemia

Portal W3 entrevistou escritora, músico e artista plástico para averiguar cenário do setor no município

Por Dyessica Abadi

O que identifica o povo araranguaense? Como é possível celebrar e reconhecer a identidade da cidade? A cultura é a base de fundação identitária de uma população local e, através dela, promove-se a cidadania. Aqui em Araranguá, os esforços integrados e constantes dos artistas locais vêm incentivando e minimizando os efeitos da pandemia à população — em tempos difíceis, a arte surge como refúgio imprescindível.

No dia 30 de julho, o Governo Federal sancionou, com veto, a Lei 14.017, de 2020, que libera R$ 3 bilhões em auxílio financeiro a artistas e estabelecimentos culturais durante a pandemia de Covid-19. No Vale do Araranguá, a projeção é de que os municípios recebam mais de R$ 1,6 milhão por meio da Lei Aldir Blanc. Os recursos deverão ser aplicados em renda emergencial para os trabalhadores do setor, subsídios para manutenção dos espaços culturais e instrumentos como editais e prêmios.

Conforme comunicado pela Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC), os municípios terão prazo de até 60 dias para destinar os recursos recebidos, caso contrário o valor retornará ao Estado. Os representantes da entidade avaliam que as medidas tomadas em todos os setores são essenciais, sendo neste caso, recursos importantes, para uma área que já comumente sofre carências de ordem econômica.

Um respiro a mais para a literatura e teatro


O mapeamento dos artistas por regiões e ramo de atividade nos faz sair do anonimato para fazer parte de um grupo com nome, sobrenome. Deixamos de ser artistas desconhecidos para sermos profissionais da arte". Léia Batista, escritora, atriz, dramaturga e professora de teatro.

A escritora, atriz, dramaturga e professora de teatro na Trupe da Aurora, Léia Batista considera a criação do Conselho Regional de Cultura um marco à literatura local. "No ano passado foi lançado um concurso literário, no qual fui premiada juntamente com mais três escritores. Isso movimentou o seguimento literário não só pela premiação, mas pela perspectiva de que o mesmo aconteceria anualmente, pois não havia nenhum tipo de fomento até então", revela.

[caption id="attachment_63335" align="aligncenter" width="600"] Escritora realizou o lançamento do livro "Contos Continhos para a hora de dormir" pela internet em abril, devido às medidas de isolamento social. Foto: Divulgação[/caption]

Léia é referência na região por explorar diversos talentos. Atualmente, ela trabalha com as artes cênicas em Araranguá e região, escrevendo, dirigindo e montando peças teatrais e, ao mesmo tempo, dando aulas de teatros. Entretanto, por conta da pandemia de Covid-19, as aulas que ministrava para 50 alunos pararam e as apresentações em escolas foram canceladas, assim como os espetáculos de teatro bimestrais que eram realizados para o público no auditório do Shopping de Araranguá.
Com a pandemia, todos os segmentos artísticos tiveram que parar. Todos os colegas artistas que vivem de suas artes tiveram contratos cancelados e se viram desempregados do dia para a noite. Fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a retornar". Léia Batista, escritora, atriz, dramaturga e professora de teatro.

A artista afirma que a arte na região sempre foi um segmento pouco valorizado, tanto pelos órgãos públicos quanto pelas pessoas em geral. Contudo, ela se revela otimista em relação a criação do Conselho Municipal de Cultura de Araranguá. "Surge como um grande marco para todos os segmentos artísticos do município. Através dele, podemos acreditar que um novo horizonte se delineia, através de projetos, editais, e campanhas de valorização da arte e dos artistas", salienta.

A Lei Aldir Blanc traz recursos em um momento crítico, em que muitos fazedores de cultura no município e em todo Brasil precisam desenvolver suas atividades. "Um respiro a mais para quem vive exclusivamente da arte e não está podendo trabalhar", conclui Léia.

Araranguá em mais lugares através da música e das artes


A REDS é um selo musical independente com base em Araranguá totalmente alimentada através da arte. A marca surgiu com o objetivo de ajudar a divulgar e lançar músicas autorais das bandas de Santa Catarina, principalmente da Região do Vale do Araranguá. Contudo, a REDS acabou tendo uma abertura um pouco maior do que a imaginada pelos sócios, Gabriel Vitor de Freitas e Fernando Vieira, membros da banda independente de Araranguá, Os Vermelhos, junto com a cantora Poliana Peres.

[caption id="attachment_63348" align="aligncenter" width="600"] Formada em 2016, atualmente o quarteto é composto por (da esquerda para a direita): Gabriel Carradore (guitarra), Gabriel Vitor de Freitas (vocal/ guitarra), Matheus Pecantet (baixo) e Fernando Vieira (bateria). Foto: Tiago Siewerdt[/caption]


Foi onde surgiu a ideia de iniciarmos a marca com a produção de roupas (camisetas sendo mais específico). Com isso, conseguimos nos alimentar de vários elementos da arte, além da música, como fotografia, moda, artes plásticas e assim por diante". Gabriel Vitor de Freitas, músico e sócio proprietário do selo REDS.

Através da empresa, aconteceu a primeira edição do RedFestival, um evento organizado pela banda que Gabriel faz parte, Os Vermelhos, e em parceria com outras bandas independentes da região, além da participação dos artistas plásticos do Ateliê Calle7, que integraram o festival. O evento contou com atrações musicais, exposições fotográficas, escritores e artistas gráficos de Araranguá, movimentando o cenário cultural da região
É um dos nossos maiores intuitos. Trabalhar com as nossas criações mas trazer a colaboração de outros artistas para junto de nós". Gabriel Vitor de Freitas, músico e sócio proprietário do selo REDS.

Gabriel Vitor de Freitas iniciou seu envolvimento com a arte através da música — atualmente, esse é o segmento que mais se identifica. Para ele, apesar da dificuldade em se trabalhar com arte na região, houve crescimento no setor nos últimos tempos. "O desenvolvimento cultural da cidade e região sempre foi algo difícil de se trabalhar pela cultura raizada da não valorização do que é da 'própria terra'. Entretendo, ainda sim, nos últimos tempos, isso vem mudando de forma vigorante com os eventos abertos, exposições e novos artistas aparecendo", revela.

Mesmo que os impactos para a área das artes tenha sido forte, o músico percebe que os artistas estão encontrando meios de sobreviver à pandemia utilizando os meios digitais. "Vi uma boa parcela dos artista de Araranguá e região promovendo lives através das suas redes sociais, podendo entreter o público que estava em isolamento social em suas casas", pontua.
Creio que seja importante para a população ver a diversidade de fabricantes de arte, em geral, que Araranguá e região possuem. Isso pode gerar muitos frutos benéficos à região e quem sabe levar o nome da cidade para mais lugares. A união faz a força e quem consegue mostrá-la faz o movimento cada vez mais forte para a arte, para o comércio, para todos". Gabriel Vitor de Freitas, músico e sócio proprietário do selo RED

Seguindo decretos municipais de contenção, a maior parte dos bares e casas de shows ainda permanecem fechadas. Gabriel destaca que muitos alguns artistas, como os músicos, estão conseguindo se manter através da ajuda de amigos, familiares e através de doações. "No momento, as alternativas mais viáveis e seguras são as transmissões ao vivo realizada pelos artistas de todas as artes, onde o publico pode fazer doações através de apps financeiros e financiamentos coletivos", conclui.

Riqueza nos detalhes das artes plásticas araranguaense


Ninguém representa tão bem o desenho em Araranguá do que Alex Santos, ou, como é popularmente conhecido, o Alex Barbudo. Morador do Bairro Nova Divineia em Araranguá, Alex trabalha com desenvolvimento de ideias criativas e utiliza o desenho e a música como forma de expressão artística do cotidiano. O artista desenvolve todo seu trabalho através do Ateliê Calle7, sediado no mesmo bairro em que vive.
Hoje todo mundo está vendo como é importante a arte. Todo mundo na pandemia está consumindo arte e esse é um bom momento para se pensar como incentivá-la". Alex Barbudo, artista plástico e músico.

[caption id="attachment_63337" align="aligncenter" width="600"] "Nós precisamos de fomento, tanto público, quanto dos empresários da região, e também dos próprios produtores culturais", diz Alex Barbudo, artista plástico e músico araranguaense. Foto: Divulgação/Facebook[/caption]

Uma das principais situações que Alex destaca é a saída de artistas araranguaenses para outras cidades por falta de ter como se sustentar através da arte." Nós precisamos organizar o movimento coletivo artístico da nossa cidade, porque ela é muito rica. Nós vivemos constantemente o risco de perder artistas nossos e isso já acontece há muito tempo: as pessoas se destacam aqui, mas saem daqui para poder trabalhar fora, para poder conseguir viver da sua arte", revela.

Alex acredita que a organização conjunta dos artistas da cidade é a melhor maneira de fomentar a cultura na região. Assim como Léia Batista, o artista plástico e músico destaca a chamada para organização dos artistas através do Conselho Regional de Cultura. "Isso é uma forma de buscar organização da melhor forma possível: saber o que cobrar, de quem cobrar e quando chegar um recurso, para onde direcionar", explica.
A tendência era juntar os produtores de eventos, produtores culturais e produtores de arte. Todo mundo estava meio que se organizando, juntando uma apresentação com banda, com exposição, com alguma intervenção artística. Estava se abrindo bem mais, até para a parte de grafite e pintura em alguns lugares que estavam pedindo mais. Depois da pandemia, isso diminuiu". Alex Barbudo, artista plástico e músico.

Todos os trabalhadores sentiram imediatamente os efeitos da quarentena, tanto no aspecto econômico, quanto organizacional. Isso não foi diferente para os artistas. Alex afirma que o fluxo de trabalho diminuiu, principalmente por conta da parceria que desenvolve com o comércio de Araranguá. "Diminui a parte do desenho, mas eu também consegui dar uma praticada no digital, que é algo que eu estou buscando. Também impactou diretamente na música, pois havia a parceria com as casas pub's, bares e restaurantes, que contratavam música ao vivo e agora estão fechadas", pondera.

Mesmo em um cenário conturbado, Alex percebe que esse é o momento de valorizar as boas ideias. "Os artistas estão se puxando e se organizando. Estão buscando independência no trabalho e isso vai ser muito bom, mesmo sendo difícil. O cenário está aberto", diz. Entre as principais formas de divulgação artística, o artista plástico e músico destaca as lives pelo Instagram como forma de reforçar a parceria entre comércio e artista, além de validar a presença do músico.
Temos que conectar toda essa movimentação, pois quanto mais atualizado tu estiver, melhor, porque daí tu vai conseguir comunicar para o mundo a tua mensagem local. E é isso o que nós fazemos quando acessamos a internet para fazer qualquer coisa: as pessoas estão falando dos seus lugares. Valorizar o seu lugar, conseguir divulgar e trabalhar em cima disso vai ser um desafio gigantesco, mas é uma alternativa". Alex Barbudo, artista plástico e músico.

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Por Dyessica Abadi

O que identifica o povo araranguaense? Como é possível celebrar e reconhecer a identidade da cidade? A cultura é a base de fundação identitária de uma população local e, através dela, promove-se a cidadania. Aqui em Araranguá, os esforços integrados e constantes dos artistas locais vêm incentivando e minimizando os efeitos da pandemia à população — em tempos difíceis, a arte surge como refúgio imprescindível.

No dia 30 de julho, o Governo Federal sancionou, com veto, a Lei 14.017, de 2020, que libera R$ 3 bilhões em auxílio financeiro a artistas e estabelecimentos culturais durante a pandemia de Covid-19. No Vale do Araranguá, a projeção é de que os municípios recebam mais de R$ 1,6 milhão por meio da Lei Aldir Blanc. Os recursos deverão ser aplicados em renda emergencial para os trabalhadores do setor, subsídios para manutenção dos espaços culturais e instrumentos como editais e prêmios.

Conforme comunicado pela Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC), os municípios terão prazo de até 60 dias para destinar os recursos recebidos, caso contrário o valor retornará ao Estado. Os representantes da entidade avaliam que as medidas tomadas em todos os setores são essenciais, sendo neste caso, recursos importantes, para uma área que já comumente sofre carências de ordem econômica.

Um respiro a mais para a literatura e teatro

O mapeamento dos artistas por regiões e ramo de atividade nos faz sair do anonimato para fazer parte de um grupo com nome, sobrenome. Deixamos de ser artistas desconhecidos para sermos profissionais da arte”. Léia Batista, escritora, atriz, dramaturga e professora de teatro.

A escritora, atriz, dramaturga e professora de teatro na Trupe da Aurora, Léia Batista considera a criação do Conselho Regional de Cultura um marco à literatura local. “No ano passado foi lançado um concurso literário, no qual fui premiada juntamente com mais três escritores. Isso movimentou o seguimento literário não só pela premiação, mas pela perspectiva de que o mesmo aconteceria anualmente, pois não havia nenhum tipo de fomento até então”, revela.

Escritora realizou o lançamento do livro “Contos Continhos para a hora de dormir” pela internet em abril, devido às medidas de isolamento social. Foto: Divulgação

Léia é referência na região por explorar diversos talentos. Atualmente, ela trabalha com as artes cênicas em Araranguá e região, escrevendo, dirigindo e montando peças teatrais e, ao mesmo tempo, dando aulas de teatros. Entretanto, por conta da pandemia de Covid-19, as aulas que ministrava para 50 alunos pararam e as apresentações em escolas foram canceladas, assim como os espetáculos de teatro bimestrais que eram realizados para o público no auditório do Shopping de Araranguá.

Com a pandemia, todos os segmentos artísticos tiveram que parar. Todos os colegas artistas que vivem de suas artes tiveram contratos cancelados e se viram desempregados do dia para a noite. Fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a retornar”. Léia Batista, escritora, atriz, dramaturga e professora de teatro.

A artista afirma que a arte na região sempre foi um segmento pouco valorizado, tanto pelos órgãos públicos quanto pelas pessoas em geral. Contudo, ela se revela otimista em relação a criação do Conselho Municipal de Cultura de Araranguá. “Surge como um grande marco para todos os segmentos artísticos do município. Através dele, podemos acreditar que um novo horizonte se delineia, através de projetos, editais, e campanhas de valorização da arte e dos artistas”, salienta.

A Lei Aldir Blanc traz recursos em um momento crítico, em que muitos fazedores de cultura no município e em todo Brasil precisam desenvolver suas atividades. “Um respiro a mais para quem vive exclusivamente da arte e não está podendo trabalhar”, conclui Léia.

Araranguá em mais lugares através da música e das artes

A REDS é um selo musical independente com base em Araranguá totalmente alimentada através da arte. A marca surgiu com o objetivo de ajudar a divulgar e lançar músicas autorais das bandas de Santa Catarina, principalmente da Região do Vale do Araranguá. Contudo, a REDS acabou tendo uma abertura um pouco maior do que a imaginada pelos sócios, Gabriel Vitor de Freitas e Fernando Vieira, membros da banda independente de Araranguá, Os Vermelhos, junto com a cantora Poliana Peres.

Formada em 2016, atualmente o quarteto é composto por (da esquerda para a direita): Gabriel Carradore (guitarra), Gabriel Vitor de Freitas (vocal/ guitarra), Matheus Pecantet (baixo) e Fernando Vieira (bateria). Foto: Tiago Siewerdt

Foi onde surgiu a ideia de iniciarmos a marca com a produção de roupas (camisetas sendo mais específico). Com isso, conseguimos nos alimentar de vários elementos da arte, além da música, como fotografia, moda, artes plásticas e assim por diante”. Gabriel Vitor de Freitas, músico e sócio proprietário do selo REDS.

Através da empresa, aconteceu a primeira edição do RedFestival, um evento organizado pela banda que Gabriel faz parte, Os Vermelhos, e em parceria com outras bandas independentes da região, além da participação dos artistas plásticos do Ateliê Calle7, que integraram o festival. O evento contou com atrações musicais, exposições fotográficas, escritores e artistas gráficos de Araranguá, movimentando o cenário cultural da região

É um dos nossos maiores intuitos. Trabalhar com as nossas criações mas trazer a colaboração de outros artistas para junto de nós”. Gabriel Vitor de Freitas, músico e sócio proprietário do selo REDS.

Gabriel Vitor de Freitas iniciou seu envolvimento com a arte através da música — atualmente, esse é o segmento que mais se identifica. Para ele, apesar da dificuldade em se trabalhar com arte na região, houve crescimento no setor nos últimos tempos. “O desenvolvimento cultural da cidade e região sempre foi algo difícil de se trabalhar pela cultura raizada da não valorização do que é da ‘própria terra’. Entretendo, ainda sim, nos últimos tempos, isso vem mudando de forma vigorante com os eventos abertos, exposições e novos artistas aparecendo”, revela.

Mesmo que os impactos para a área das artes tenha sido forte, o músico percebe que os artistas estão encontrando meios de sobreviver à pandemia utilizando os meios digitais. “Vi uma boa parcela dos artista de Araranguá e região promovendo lives através das suas redes sociais, podendo entreter o público que estava em isolamento social em suas casas”, pontua.

Creio que seja importante para a população ver a diversidade de fabricantes de arte, em geral, que Araranguá e região possuem. Isso pode gerar muitos frutos benéficos à região e quem sabe levar o nome da cidade para mais lugares. A união faz a força e quem consegue mostrá-la faz o movimento cada vez mais forte para a arte, para o comércio, para todos”. Gabriel Vitor de Freitas, músico e sócio proprietário do selo RED

Seguindo decretos municipais de contenção, a maior parte dos bares e casas de shows ainda permanecem fechadas. Gabriel destaca que muitos alguns artistas, como os músicos, estão conseguindo se manter através da ajuda de amigos, familiares e através de doações. “No momento, as alternativas mais viáveis e seguras são as transmissões ao vivo realizada pelos artistas de todas as artes, onde o publico pode fazer doações através de apps financeiros e financiamentos coletivos”, conclui.

Riqueza nos detalhes das artes plásticas araranguaense

Ninguém representa tão bem o desenho em Araranguá do que Alex Santos, ou, como é popularmente conhecido, o Alex Barbudo. Morador do Bairro Nova Divineia em Araranguá, Alex trabalha com desenvolvimento de ideias criativas e utiliza o desenho e a música como forma de expressão artística do cotidiano. O artista desenvolve todo seu trabalho através do Ateliê Calle7, sediado no mesmo bairro em que vive.

Hoje todo mundo está vendo como é importante a arte. Todo mundo na pandemia está consumindo arte e esse é um bom momento para se pensar como incentivá-la”. Alex Barbudo, artista plástico e músico.

“Nós precisamos de fomento, tanto público, quanto dos empresários da região, e também dos próprios produtores culturais”, diz Alex Barbudo, artista plástico e músico araranguaense. Foto: Divulgação/Facebook

Uma das principais situações que Alex destaca é a saída de artistas araranguaenses para outras cidades por falta de ter como se sustentar através da arte.” Nós precisamos organizar o movimento coletivo artístico da nossa cidade, porque ela é muito rica. Nós vivemos constantemente o risco de perder artistas nossos e isso já acontece há muito tempo: as pessoas se destacam aqui, mas saem daqui para poder trabalhar fora, para poder conseguir viver da sua arte”, revela.

Alex acredita que a organização conjunta dos artistas da cidade é a melhor maneira de fomentar a cultura na região. Assim como Léia Batista, o artista plástico e músico destaca a chamada para organização dos artistas através do Conselho Regional de Cultura. “Isso é uma forma de buscar organização da melhor forma possível: saber o que cobrar, de quem cobrar e quando chegar um recurso, para onde direcionar”, explica.

A tendência era juntar os produtores de eventos, produtores culturais e produtores de arte. Todo mundo estava meio que se organizando, juntando uma apresentação com banda, com exposição, com alguma intervenção artística. Estava se abrindo bem mais, até para a parte de grafite e pintura em alguns lugares que estavam pedindo mais. Depois da pandemia, isso diminuiu”. Alex Barbudo, artista plástico e músico.

Todos os trabalhadores sentiram imediatamente os efeitos da quarentena, tanto no aspecto econômico, quanto organizacional. Isso não foi diferente para os artistas. Alex afirma que o fluxo de trabalho diminuiu, principalmente por conta da parceria que desenvolve com o comércio de Araranguá. “Diminui a parte do desenho, mas eu também consegui dar uma praticada no digital, que é algo que eu estou buscando. Também impactou diretamente na música, pois havia a parceria com as casas pub’s, bares e restaurantes, que contratavam música ao vivo e agora estão fechadas”, pondera.

Mesmo em um cenário conturbado, Alex percebe que esse é o momento de valorizar as boas ideias. “Os artistas estão se puxando e se organizando. Estão buscando independência no trabalho e isso vai ser muito bom, mesmo sendo difícil. O cenário está aberto”, diz. Entre as principais formas de divulgação artística, o artista plástico e músico destaca as lives pelo Instagram como forma de reforçar a parceria entre comércio e artista, além de validar a presença do músico.

Temos que conectar toda essa movimentação, pois quanto mais atualizado tu estiver, melhor, porque daí tu vai conseguir comunicar para o mundo a tua mensagem local. E é isso o que nós fazemos quando acessamos a internet para fazer qualquer coisa: as pessoas estão falando dos seus lugares. Valorizar o seu lugar, conseguir divulgar e trabalhar em cima disso vai ser um desafio gigantesco, mas é uma alternativa”. Alex Barbudo, artista plástico e músico.

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