Psiquiatra dá dicas para preservar a saúde mental durante a pandemia

Especialista de Araranguá aponta estratégias para manter equilíbrio diante de tantos acontecimentos e informações

As epidemias costumam provocar desespero nas pessoas, principalmente quando não se tem total conhecimento sobre a doença, como é o caso do novo coronavírus. Esse tipo de situação que estamos vivendo atualmente pode abalar a saúde mental causando estresse, ansiedade e até mesmo pânico. Há, inclusive, quem tem se queixado de estar abalado emocionalmente diante de tantos acontecimentos e informações desde que iniciou o período de isolamento social e com as notícias sobre mortes e contaminados.

Para contribuir com nossos leitores, buscamos um especialista para dar dicas de como vencer essa fase sem prejudicar a saúde mental. Segundo o psiquiatra, Fernando Vieira da Rocha, a situação é bem complexa. “Devemos pensar com muito cuidado. A saúde mental implica considerar o indivíduo como um ser composto pelas dimensões física, psicológica, social e espiritual, que, ao interagirem entre si, constroem formas de lidar com as situações de crise que se apresentem no decorrer de sua vida”, disse à reportagem.

Doutor Fernando ainda explica que algumas reações, sentimentos e problemas de cunho mental são comuns, mas precisam de algumas estratégias para não avançar a casos mais graves. “As reações psíquicas são consideradas normais, pois estamos no momento inicial do enfrentamento e o desconhecido provoca a necessidade de adaptação. Porém, caso não hajam intervenções preventivas, essas reações podem evoluir para o desenvolvimento de quadros psicopatológicos”, advertiu.

Para o Portal W3, o psiquiatra encaminhou algumas dicas importantes. Confira abaixo:

 

  1. QUAIS REAÇÕES MAIS FREQUENTES DIANTE DA PANDEMIA?


1.1 Reações emocionais:

 Medo: pode se ter medo de adoecimento e morte, da perda de pessoas queridas, de ser separado de cuidadores, ser estigmatizado e excluído socialmente, transmitir o vírus a outras pessoas, perder os meios de subsistência e não receber auxílios financeiros, de não serem garantidas as necessidades básicas, dentre outros;

 Sentimentos de impotência: a vulnerabilidade relacionada ao avanço do vírus, a inexistência de cura até o momento, a instabilidade das deliberações institucionais (imposta pelas alterações constantes nas estratégias de enfrentamento que a pandemia impõe), maior limitação de autonomia no ambiente de trabalho e nas relações, e, especialmente aos profissionais de saúde, maior exposição ao vírus;

 Irritabilidade: devido ao aumento do estresse e especificidades do trabalho;

 Angústia: que podem ter relação com o constante estado de vigilância e alerta, insuficiência de informações e descontrole sobre a situação;

Tristeza: relacionando-se ao isolamento, às perdas, ao sentimento de desamparo, à solidão e a capacidade reduzida de recorrer ao social em decorrência de longas jornadas de trabalho.

 

1.2 Reações comportamentais:

Alterações ou distúrbios do apetite e do sono;

Conflitos interpessoais;

Aumento dos atos agressivos e da ocorrência de violência contra o outro e contra si mesmo;

Atos compulsivos desencadeados por pensamentos obsessivos;

Letargia ou agitação;

Crises de pânico.

 

2) O QUE ESTAS REAÇÕES PODEM PROVOCAR?

2.1 Transtornos psíquicos imediatos:

Episódios depressivos;

Crises ou agravamento do transtorno de ansiedade;

Estresse agudo transitório.

 

2.2 Efeitos tardios:

Luto patológico;

Transtornos de adaptação;

Manifestações de estresse pós-traumático;

Abuso do álcool e/ou outras substâncias psicoativas;

Transtornos de humor.

 

3) QUAIS ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO:

-Autocuidado;

 

-Evite hábitos prejudiciais - Cuidado com o uso abusivo de tabaco, bebidas alcoólicas e outras drogas como forma de fugir da angústia;

 

-Converse com os colegas -Mantenha uma sociabilidade, mesmo que a distância;

 

-Não se isole - Algumas pessoas podem se afastar de profissionais de saúde por medo de contaminação, compreenda que se trata de algo passageiro e mantenha contato, mesmo que à distância por meios virtuais, com familiares e amigos;

 

-Pratique a Resiliência - Reflita sobre as dificuldades enfrentadas e o que pode aprender com elas, resinifique sua experiência;

 

-Compartilhe o cuidado - Sempre que possível, estimule ações de cuidado compartilhadas, pois assim evita se sobrecarregar e gera uma sensação de pertencimento social;

 

-Exercício de respiração e meditação;

 

-Cuide de seu corpo: - Atividades físicas e alongamentos são importantes para evitar estresse e diminuir a ansiedade. É possível realizar atividades antes praticadas, adaptando-as ao ambiente domiciliar. Incluir essas atividades na rotina diária fará diferença na saúde física e mental;

 

-Evite excesso de informações - consumir muitas notícias de diferentes fontes o tempo todo pode disparar sua ansiedade e te levar a um estado mental de constante alerta. Filtre conteúdos e imponha limites quanto a sua exposição a informações que alterem seu estado de humor;

 

-Realize atividades que produzam tranquilidade - O medo, pânico e estresse não ajudam individualmente nem coletivamente. Realize atividades que te tranquilize, escute uma boa música, faça um curso online, leia aquele livro esquecido ou assista aquela série que te recomendaram, faça coisas que gosta;

 

-Estabeleça uma rotina - Pessoas que podem fazer escolhas e decidir sobre sua rotina diária, que têm acesso a atividades estruturadas e uma rotina estão mais propensas a lidar melhor com diminuição de autonomia. Por isso, crie uma rotina de trabalho e autocuidado. Procure realizar atividades prazerosas e significativas, isso ajudará o dia a acontecer de um jeito mais organizado e tranquilo;

 

-Mantenha sua fé e atividades religiosas e/ou espirituais, caso façam parte de sua rotina

 

- São atividades importante para sua saúde mental, mas nesse contexto elas precisam ser mantidas longe de aglomerados e espaços fechados. Cuidar do outro/do próximo é também cuidar da sua saúde e bem estar coletivo.

As epidemias costumam provocar desespero nas pessoas, principalmente quando não se tem total conhecimento sobre a doença, como é o caso do novo coronavírus. Esse tipo de situação que estamos vivendo atualmente pode abalar a saúde mental causando estresse, ansiedade e até mesmo pânico. Há, inclusive, quem tem se queixado de estar abalado emocionalmente diante de tantos acontecimentos e informações desde que iniciou o período de isolamento social e com as notícias sobre mortes e contaminados.

Para contribuir com nossos leitores, buscamos um especialista para dar dicas de como vencer essa fase sem prejudicar a saúde mental. Segundo o psiquiatra, Fernando Vieira da Rocha, a situação é bem complexa. “Devemos pensar com muito cuidado. A saúde mental implica considerar o indivíduo como um ser composto pelas dimensões física, psicológica, social e espiritual, que, ao interagirem entre si, constroem formas de lidar com as situações de crise que se apresentem no decorrer de sua vida”, disse à reportagem.

Doutor Fernando ainda explica que algumas reações, sentimentos e problemas de cunho mental são comuns, mas precisam de algumas estratégias para não avançar a casos mais graves. “As reações psíquicas são consideradas normais, pois estamos no momento inicial do enfrentamento e o desconhecido provoca a necessidade de adaptação. Porém, caso não hajam intervenções preventivas, essas reações podem evoluir para o desenvolvimento de quadros psicopatológicos”, advertiu.

Para o Portal W3, o psiquiatra encaminhou algumas dicas importantes. Confira abaixo:

 

  1. QUAIS REAÇÕES MAIS FREQUENTES DIANTE DA PANDEMIA?

1.1 Reações emocionais:

 Medo: pode se ter medo de adoecimento e morte, da perda de pessoas queridas, de ser separado de cuidadores, ser estigmatizado e excluído socialmente, transmitir o vírus a outras pessoas, perder os meios de subsistência e não receber auxílios financeiros, de não serem garantidas as necessidades básicas, dentre outros;

 Sentimentos de impotência: a vulnerabilidade relacionada ao avanço do vírus, a inexistência de cura até o momento, a instabilidade das deliberações institucionais (imposta pelas alterações constantes nas estratégias de enfrentamento que a pandemia impõe), maior limitação de autonomia no ambiente de trabalho e nas relações, e, especialmente aos profissionais de saúde, maior exposição ao vírus;

 Irritabilidade: devido ao aumento do estresse e especificidades do trabalho;

 Angústia: que podem ter relação com o constante estado de vigilância e alerta, insuficiência de informações e descontrole sobre a situação;

Tristeza: relacionando-se ao isolamento, às perdas, ao sentimento de desamparo, à solidão e a capacidade reduzida de recorrer ao social em decorrência de longas jornadas de trabalho.

 

1.2 Reações comportamentais:

Alterações ou distúrbios do apetite e do sono;

Conflitos interpessoais;

Aumento dos atos agressivos e da ocorrência de violência contra o outro e contra si mesmo;

Atos compulsivos desencadeados por pensamentos obsessivos;

Letargia ou agitação;

Crises de pânico.

 

2) O QUE ESTAS REAÇÕES PODEM PROVOCAR?

2.1 Transtornos psíquicos imediatos:

Episódios depressivos;

Crises ou agravamento do transtorno de ansiedade;

Estresse agudo transitório.

 

2.2 Efeitos tardios:

Luto patológico;

Transtornos de adaptação;

Manifestações de estresse pós-traumático;

Abuso do álcool e/ou outras substâncias psicoativas;

Transtornos de humor.

 

3) QUAIS ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO:

-Autocuidado;

 

-Evite hábitos prejudiciais – Cuidado com o uso abusivo de tabaco, bebidas alcoólicas e outras drogas como forma de fugir da angústia;

 

-Converse com os colegas -Mantenha uma sociabilidade, mesmo que a distância;

 

-Não se isole – Algumas pessoas podem se afastar de profissionais de saúde por medo de contaminação, compreenda que se trata de algo passageiro e mantenha contato, mesmo que à distância por meios virtuais, com familiares e amigos;

 

-Pratique a Resiliência – Reflita sobre as dificuldades enfrentadas e o que pode aprender com elas, resinifique sua experiência;

 

-Compartilhe o cuidado – Sempre que possível, estimule ações de cuidado compartilhadas, pois assim evita se sobrecarregar e gera uma sensação de pertencimento social;

 

-Exercício de respiração e meditação;

 

-Cuide de seu corpo: – Atividades físicas e alongamentos são importantes para evitar estresse e diminuir a ansiedade. É possível realizar atividades antes praticadas, adaptando-as ao ambiente domiciliar. Incluir essas atividades na rotina diária fará diferença na saúde física e mental;

 

-Evite excesso de informações – consumir muitas notícias de diferentes fontes o tempo todo pode disparar sua ansiedade e te levar a um estado mental de constante alerta. Filtre conteúdos e imponha limites quanto a sua exposição a informações que alterem seu estado de humor;

 

-Realize atividades que produzam tranquilidade – O medo, pânico e estresse não ajudam individualmente nem coletivamente. Realize atividades que te tranquilize, escute uma boa música, faça um curso online, leia aquele livro esquecido ou assista aquela série que te recomendaram, faça coisas que gosta;

 

-Estabeleça uma rotina – Pessoas que podem fazer escolhas e decidir sobre sua rotina diária, que têm acesso a atividades estruturadas e uma rotina estão mais propensas a lidar melhor com diminuição de autonomia. Por isso, crie uma rotina de trabalho e autocuidado. Procure realizar atividades prazerosas e significativas, isso ajudará o dia a acontecer de um jeito mais organizado e tranquilo;

 

-Mantenha sua fé e atividades religiosas e/ou espirituais, caso façam parte de sua rotina

 

– São atividades importante para sua saúde mental, mas nesse contexto elas precisam ser mantidas longe de aglomerados e espaços fechados. Cuidar do outro/do próximo é também cuidar da sua saúde e bem estar coletivo.

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