Período de seca e aumento do dólar afetam os preços dos produtos alimentícios na região

Secretaria Municipal de Agricultura ainda não tem dados efetivos sobre o impacto da pandemia do Coronavírus no preços dos alimentos

Por Dyessica Abadi


A epidemia do novo Coronavírus colocou a população em estado de alerta e, mais do que nunca, vigilante aos preços dos produtos que fazem parte do seu consumo diário. Neste cenário, uma prática ilegal tomou maiores proporções e vem sendo exposta: o aumento abusivo dos preços. Entretanto, são várias as variantes que determinam os preços dos produtos de consumo — nessa conta, o clima, a safra e a economia mundial contam como variantes.

O Secretário de Agricultura e Abastecimento de Araranguá, Douglas Martins Michels, afirma que o município continua produzindo normalmente e entregando os produtos para os mercados da região. “Quanto aos produtos da agricultura, acredito que no momento não teremos alteração nos valores referente a epidemia”, declara o secretário. Março é época da colheita da safra de arroz. O produtor rural de Araranguá, Vanderlei Bif, relata que normalmente a colheita desse produto é feita entre os meses de janeiro e maio, dependendo da época na qual foi plantada. “Na época da colheita, o arroz abaixa o preço. Fora da colheita, ele aumenta. Por exemplo, agora, é uma época que o preço do arroz está baixo. Aí lá pelo final do ano, entre outubro e novembro, ele aumenta o valor. Mas varia: tem vezes que ele aumenta, tem vezes que ele continua a igual e tem até vezes que ele baixa”, esclarece o produtor.

A Diretora do PROCON Municipal de Araranguá, Cristiana Rzatki, salienta que o preço final ao consumidor depende de uma série de aspectos. “Como em todo sistema capitalista, os preços dos produtos e serviços nos mercados e também no comércio em geral são estabelecidos por uma série de fatores: livre iniciativa das empresas, custos dos insumos, lei da oferta e da procura, obtenção de lucro, dentre outros”, enfatiza Cristiana Rzatki. O produtor rural, Vanderlei Bif, também aponta a situação econômica mundial como uma variante: “como o dólar está muito alto, a tendência é aumentar o preço aqui também”.

Período de seca e queda nas exportações gera aumento no valor dos produtos alimentícios


Na última segunda-feira, 23, o Ministério da Economia divulgou o balanço das exportações e importações do país na terceira semana de março. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma queda de 3,6% no valor das exportações, em razão da diminuição nas vendas de produtos manufaturados e básicos (como o milho em grãos e o farelo de soja, por exemplo). Entretanto, a média das exportações para a terceira semana de março registrou um superávit de US$ 1,402 bilhão após a queda brusca da semana anterior, onde houve uma baixa de 20% do valor.

Para o agricultor Vanderlei Bif, a epidemia do Coronavírus ainda não afetou os valores da produção do arroz. O produtor afirma que a tendência já era aumentar o valor, devido às condições climáticas de seca na região. “Como o clima tá muito ruim, a produção do Rio Grande do Sul e de outros países não está rendendo”. Para ele, os outros fatores que também irão afetar o valor do produto nos meses conseguintes são as importações e a alta do dólar. “Depende se a safra é muito grande, ou o povo come pouco, ou a exportação é pouca. Aí o arroz abaixa o preço, porque é muita oferta também. Nós temos aqui o Uruguai e o Paraguai que, quando o dólar está baixo, eles mandam arroz deles aqui para dentro do país. Como os produtos deles não tem impostos, o arroz deles acaba sendo mais barato que o nosso”, pontua.

A seca que impactou a região do Extremo Sul Catarinense entre os meses de dezembro e janeiro afetaram a produção do agricultor. “Nós começamos em fevereiro e estamos colhendo pouco a pouco, pois ainda o arroz está verde. Tem lugar que está encaixando no seco, nem sei se vai produzir ainda, porque, naquela época de janeiro, secou e atrasou. O arroz ficou muito tempo no seco e aí paralisou. Quando veio a chuva e normalizou, já secou de novo”, argumenta Vanderlei Bif. Em relação ao estado de calamidade pública da epidemia do Covid-19, o agricultor comenta: “agora eu não sei o que vai acontecer, se vai aumentar ou se vai abaixar”.

Novo Coronavírus gera incertezas aos produtores, mas ainda não há comprovação de que afete o valor dos produtos alimentícios


O produtor de arroz, Vanderlei Bif, avalia: “o problema é que essa epidemia aconteceu bem no ano em que a safra pegou uma seca muito grande, como o milho e a soja. A produção caiu lá para baixo e a tendência é aumentar o preço. Agora, por causa da epidemia, não sei o que vai acontecer, porque vão querer botar a culpa em cima da agricultura, porque estão falando que vai aumentar”. Da mesma forma que a situação gera dúvidas ao agricultor, o Secretário de Agricultura e Abastecimento de Araranguá, Douglas Martins Michels, afirma suas incertezas quando indica que ainda não há dados concretos sobre os impactos da crise no setor: “na verdade, nesse momento, ainda não conseguimos ter a certeza desses dados”, conclui.

Logo, percebe-se que não há informações suficientes que comprovem que os efeitos da pandemia mundial tenham afetado o preço dos produtos alimentícios. Contudo, a má fé de alguns donos de mercados e produtores rurais viram na crise de saúde uma oportunidade de lucrar. Na última sexta-feira, o Ministério Público e o PROCON lançaram uma nota técnica com o objetivo de orientar consumidores e supermercados quanto aos preços abusivos de produtos e informar sobre procedimentos de defesa frente a essa prática. “O Procon estadual de Santa Catarina já tomou as medida necessárias para que as fabricantes de Leite, principalmente as que tiveram um aumento abusivo, prestem esclarecimentos sobre o fato. Os mercados e afins estão com valores mais altos devido ao aumento em seus fornecedores (neste caso referente ao leite). Outros produtos estão sendo verificados a medida que recebemos as denúncias”, esclarece a Diretora do PROCON Municipal de Araranguá, Cristiana Rzatki, frente a denúncia de aumento abusivos no valor do leite.

Cristiana Rzatki ainda esclarece como essa prática ilegal pode afetar negativamente a população e o próprio infrator. “Em uma situação de normalidade, o abuso de preços em um determinado local acaba prejudicando o próprio empreendedor, haja vista que é natural que o consumidor procure adquirir os itens de sua necessidade nos mercados com menor preço, por exemplo — por isso é essencial a pesquisa de preços. Contudo, na condição que vivemos de Estado de Necessidade e de restrição do comércio, reduzindo drasticamente a livre concorrência, o abuso de preço nos produtos e serviços constitui grave prejuízo ao consumidor, podendo configurar crime para as relações de consumo, sendo passível de atuação dos órgãos de proteção ao consumidor, como o PROCON e o Ministério Público”, enfatiza a diretora do PROCON Municipal

O consumidor deve estar atento e saber quais são os valores dos produtos que leva à mesa. Entender os períodos de safras e épocas de cada alimento é essencial para que tenha noção sobre o preço que é abusivo ou não. Cristiana Rzatki aponta que as provas quanto aos aumentos abusivos devem ser documentadas e demonstradas ao PROCON, através da solicitação de notas fiscais, comparativos de preços entre antes e depois do período de quarentena, encartes, panfletos, fotos, entre outros métodos que sirvam como prova suficiente do ilícito nas relações de consumo. “De igual forma, os abusos de preço nos produtos, praticado pelos fornecedores aos estabelecimentos de venda final, devem ser denunciado às autoridades acima mencionadas para que as providências cabíveis possam ser adotadas. O reajuste abusivo e injustificável pode ser combatido a tempo e modo”, finaliza a diretora.

 

Por Dyessica Abadi

A epidemia do novo Coronavírus colocou a população em estado de alerta e, mais do que nunca, vigilante aos preços dos produtos que fazem parte do seu consumo diário. Neste cenário, uma prática ilegal tomou maiores proporções e vem sendo exposta: o aumento abusivo dos preços. Entretanto, são várias as variantes que determinam os preços dos produtos de consumo — nessa conta, o clima, a safra e a economia mundial contam como variantes.

O Secretário de Agricultura e Abastecimento de Araranguá, Douglas Martins Michels, afirma que o município continua produzindo normalmente e entregando os produtos para os mercados da região. “Quanto aos produtos da agricultura, acredito que no momento não teremos alteração nos valores referente a epidemia”, declara o secretário. Março é época da colheita da safra de arroz. O produtor rural de Araranguá, Vanderlei Bif, relata que normalmente a colheita desse produto é feita entre os meses de janeiro e maio, dependendo da época na qual foi plantada. “Na época da colheita, o arroz abaixa o preço. Fora da colheita, ele aumenta. Por exemplo, agora, é uma época que o preço do arroz está baixo. Aí lá pelo final do ano, entre outubro e novembro, ele aumenta o valor. Mas varia: tem vezes que ele aumenta, tem vezes que ele continua a igual e tem até vezes que ele baixa”, esclarece o produtor.

A Diretora do PROCON Municipal de Araranguá, Cristiana Rzatki, salienta que o preço final ao consumidor depende de uma série de aspectos. “Como em todo sistema capitalista, os preços dos produtos e serviços nos mercados e também no comércio em geral são estabelecidos por uma série de fatores: livre iniciativa das empresas, custos dos insumos, lei da oferta e da procura, obtenção de lucro, dentre outros”, enfatiza Cristiana Rzatki. O produtor rural, Vanderlei Bif, também aponta a situação econômica mundial como uma variante: “como o dólar está muito alto, a tendência é aumentar o preço aqui também”.

Período de seca e queda nas exportações gera aumento no valor dos produtos alimentícios

Na última segunda-feira, 23, o Ministério da Economia divulgou o balanço das exportações e importações do país na terceira semana de março. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma queda de 3,6% no valor das exportações, em razão da diminuição nas vendas de produtos manufaturados e básicos (como o milho em grãos e o farelo de soja, por exemplo). Entretanto, a média das exportações para a terceira semana de março registrou um superávit de US$ 1,402 bilhão após a queda brusca da semana anterior, onde houve uma baixa de 20% do valor.

Para o agricultor Vanderlei Bif, a epidemia do Coronavírus ainda não afetou os valores da produção do arroz. O produtor afirma que a tendência já era aumentar o valor, devido às condições climáticas de seca na região. “Como o clima tá muito ruim, a produção do Rio Grande do Sul e de outros países não está rendendo”. Para ele, os outros fatores que também irão afetar o valor do produto nos meses conseguintes são as importações e a alta do dólar. “Depende se a safra é muito grande, ou o povo come pouco, ou a exportação é pouca. Aí o arroz abaixa o preço, porque é muita oferta também. Nós temos aqui o Uruguai e o Paraguai que, quando o dólar está baixo, eles mandam arroz deles aqui para dentro do país. Como os produtos deles não tem impostos, o arroz deles acaba sendo mais barato que o nosso”, pontua.

A seca que impactou a região do Extremo Sul Catarinense entre os meses de dezembro e janeiro afetaram a produção do agricultor. “Nós começamos em fevereiro e estamos colhendo pouco a pouco, pois ainda o arroz está verde. Tem lugar que está encaixando no seco, nem sei se vai produzir ainda, porque, naquela época de janeiro, secou e atrasou. O arroz ficou muito tempo no seco e aí paralisou. Quando veio a chuva e normalizou, já secou de novo”, argumenta Vanderlei Bif. Em relação ao estado de calamidade pública da epidemia do Covid-19, o agricultor comenta: “agora eu não sei o que vai acontecer, se vai aumentar ou se vai abaixar”.

Novo Coronavírus gera incertezas aos produtores, mas ainda não há comprovação de que afete o valor dos produtos alimentícios

O produtor de arroz, Vanderlei Bif, avalia: “o problema é que essa epidemia aconteceu bem no ano em que a safra pegou uma seca muito grande, como o milho e a soja. A produção caiu lá para baixo e a tendência é aumentar o preço. Agora, por causa da epidemia, não sei o que vai acontecer, porque vão querer botar a culpa em cima da agricultura, porque estão falando que vai aumentar”. Da mesma forma que a situação gera dúvidas ao agricultor, o Secretário de Agricultura e Abastecimento de Araranguá, Douglas Martins Michels, afirma suas incertezas quando indica que ainda não há dados concretos sobre os impactos da crise no setor: “na verdade, nesse momento, ainda não conseguimos ter a certeza desses dados”, conclui.

Logo, percebe-se que não há informações suficientes que comprovem que os efeitos da pandemia mundial tenham afetado o preço dos produtos alimentícios. Contudo, a má fé de alguns donos de mercados e produtores rurais viram na crise de saúde uma oportunidade de lucrar. Na última sexta-feira, o Ministério Público e o PROCON lançaram uma nota técnica com o objetivo de orientar consumidores e supermercados quanto aos preços abusivos de produtos e informar sobre procedimentos de defesa frente a essa prática. “O Procon estadual de Santa Catarina já tomou as medida necessárias para que as fabricantes de Leite, principalmente as que tiveram um aumento abusivo, prestem esclarecimentos sobre o fato. Os mercados e afins estão com valores mais altos devido ao aumento em seus fornecedores (neste caso referente ao leite). Outros produtos estão sendo verificados a medida que recebemos as denúncias”, esclarece a Diretora do PROCON Municipal de Araranguá, Cristiana Rzatki, frente a denúncia de aumento abusivos no valor do leite.

Cristiana Rzatki ainda esclarece como essa prática ilegal pode afetar negativamente a população e o próprio infrator. “Em uma situação de normalidade, o abuso de preços em um determinado local acaba prejudicando o próprio empreendedor, haja vista que é natural que o consumidor procure adquirir os itens de sua necessidade nos mercados com menor preço, por exemplo — por isso é essencial a pesquisa de preços. Contudo, na condição que vivemos de Estado de Necessidade e de restrição do comércio, reduzindo drasticamente a livre concorrência, o abuso de preço nos produtos e serviços constitui grave prejuízo ao consumidor, podendo configurar crime para as relações de consumo, sendo passível de atuação dos órgãos de proteção ao consumidor, como o PROCON e o Ministério Público”, enfatiza a diretora do PROCON Municipal

O consumidor deve estar atento e saber quais são os valores dos produtos que leva à mesa. Entender os períodos de safras e épocas de cada alimento é essencial para que tenha noção sobre o preço que é abusivo ou não. Cristiana Rzatki aponta que as provas quanto aos aumentos abusivos devem ser documentadas e demonstradas ao PROCON, através da solicitação de notas fiscais, comparativos de preços entre antes e depois do período de quarentena, encartes, panfletos, fotos, entre outros métodos que sirvam como prova suficiente do ilícito nas relações de consumo. “De igual forma, os abusos de preço nos produtos, praticado pelos fornecedores aos estabelecimentos de venda final, devem ser denunciado às autoridades acima mencionadas para que as providências cabíveis possam ser adotadas. O reajuste abusivo e injustificável pode ser combatido a tempo e modo”, finaliza a diretora.

 

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