Pandemia causa o pior ano da história para o setor de transportes

Solução para a crise passa por investimento em tecnologia

Foto: Imagem de Schwoaze por Pixabay

Por Dyessica Abadi

As operações aéreas e o transporte de cargas e passageiros tiveram uma queda brusca em março deste ano, quando foi instaurada a crise sanitária de Covid-19 no Brasil. Segundo levantamento da TCP Partners, empresa de gestão e investimentos, o setor de transportes encerra 2020 com o pior desempenho de sua história: o Produto Interno Bruto (PIB) do segmento deverá sofrer uma retração de 7%.

O estudo tem como base dados do segmento divulgados pelo IBGE, que aponta queda de 8% na atividade até maio. De acordo com levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, a demanda por cargas despencou 45% em abril, cinco semanas após o início das medidas de isolamento social, e continuou acima de 40% até maio.

A pesquisa engloba empresas de cargas, logística e também de transporte de passageiros. À medida que a economia foi se reabrindo, a queda do segmento reduziu e está atualmente em 24,8%. Em relação às companhias aéreas, a situação é pior: em maio, o movimento de passageiros despencou 90%.

"O setor de transporte e logística sofrerá os impactos da pandemia por muito tempo. Por ser transversal, é necessário que outros setores da economia se recuperem para que as empresas de transporte se restabeleçam", diz Ricardo Jacomassi, sócio e economista-chefe da TCP Partners, para O Globo. Ele ainda relembra que a safra recorde deste ano é que acabou amenizando a perda ainda maior para as transportadoras.

Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), feita em julho com 858 empresas de cargas e de passageiros de todos os modais, mostra que, após quatro meses de pandemia, as empresas de transporte ainda enfrentam forte queda de demanda e do faturamento. Com dificuldade de acesso a crédito, muitas estão recorrendo a linhas com os juros mais altos do mercado, como cartão de crédito, para quitar folhas de pagamento, impostos e até mesmo para pagar o diesel.

"Estamos trabalhando com um cenário de ano perdido e, como não há melhora quatro meses depois do início da pandemia, teremos reflexos em 2021. É a maior crise da história do setor", diz Bruno Batista, diretor executivo da CNT, para O Globo.

Solução para a crise passa por investimento em tecnologia


De acordo com o professor de operações do Insper, Vinicius Picanço, o setor terá que se reinventar no pós-pandemia. O segmento ainda usa pouca tecnologia e depende de muita manipulação humana para carregamento e descarregamento, o que foi um problema durante a crise sanitária global. Em outros países, nas cadeias logísticas, a tecnologia já vem ganhando espaço. Um segmento deve crescer, segundo o professor, o das chamadas “logtechs”.

Logtechs são startups voltadas para resolver problemas de logística nas empresas, sejam elas grandes ou pequenas. Segundo Picanço, empresas como Amazon e Uber já entram nessa fatia de mercado.

Fonte: O Globo

Foto: Imagem de Schwoaze por Pixabay

Por Dyessica Abadi

As operações aéreas e o transporte de cargas e passageiros tiveram uma queda brusca em março deste ano, quando foi instaurada a crise sanitária de Covid-19 no Brasil. Segundo levantamento da TCP Partners, empresa de gestão e investimentos, o setor de transportes encerra 2020 com o pior desempenho de sua história: o Produto Interno Bruto (PIB) do segmento deverá sofrer uma retração de 7%.

O estudo tem como base dados do segmento divulgados pelo IBGE, que aponta queda de 8% na atividade até maio. De acordo com levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, a demanda por cargas despencou 45% em abril, cinco semanas após o início das medidas de isolamento social, e continuou acima de 40% até maio.

A pesquisa engloba empresas de cargas, logística e também de transporte de passageiros. À medida que a economia foi se reabrindo, a queda do segmento reduziu e está atualmente em 24,8%. Em relação às companhias aéreas, a situação é pior: em maio, o movimento de passageiros despencou 90%.

“O setor de transporte e logística sofrerá os impactos da pandemia por muito tempo. Por ser transversal, é necessário que outros setores da economia se recuperem para que as empresas de transporte se restabeleçam”, diz Ricardo Jacomassi, sócio e economista-chefe da TCP Partners, para O Globo. Ele ainda relembra que a safra recorde deste ano é que acabou amenizando a perda ainda maior para as transportadoras.

Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), feita em julho com 858 empresas de cargas e de passageiros de todos os modais, mostra que, após quatro meses de pandemia, as empresas de transporte ainda enfrentam forte queda de demanda e do faturamento. Com dificuldade de acesso a crédito, muitas estão recorrendo a linhas com os juros mais altos do mercado, como cartão de crédito, para quitar folhas de pagamento, impostos e até mesmo para pagar o diesel.

“Estamos trabalhando com um cenário de ano perdido e, como não há melhora quatro meses depois do início da pandemia, teremos reflexos em 2021. É a maior crise da história do setor”, diz Bruno Batista, diretor executivo da CNT, para O Globo.

Solução para a crise passa por investimento em tecnologia

De acordo com o professor de operações do Insper, Vinicius Picanço, o setor terá que se reinventar no pós-pandemia. O segmento ainda usa pouca tecnologia e depende de muita manipulação humana para carregamento e descarregamento, o que foi um problema durante a crise sanitária global. Em outros países, nas cadeias logísticas, a tecnologia já vem ganhando espaço. Um segmento deve crescer, segundo o professor, o das chamadas “logtechs”.

Logtechs são startups voltadas para resolver problemas de logística nas empresas, sejam elas grandes ou pequenas. Segundo Picanço, empresas como Amazon e Uber já entram nessa fatia de mercado.

Fonte: O Globo

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