Blog Rosane Machado: no que você está pensando?

Rosane Machado, 21/10/2019


Tenho dado aulas de oratória e tido contato com pessoas extremamente ricas em histórias. Pessoas que mostram sua fragilidade em falar em público, expressarem suas ideias, porém revelam-se um arsenal de conteúdo imenso.


Tenho aprendido muito mais do que ensinado. Falo em público sem muito temor e consigo sempre passar o meu recado. Contudo, estudo muito mais pra passar a essas pessoas, da melhor forma possível, como lidarem com seus medos e como seguirem adiante.


Em toda aula, gosto de criar uma dinâmica diferente, onde o aluno é desafiado a falar sobre algo, ler um texto, até mesmo contar uma piada. Entretanto, os momentos mais especiais são quando eles trazem coisas de seu interesse e partilham com o grupo.


Em uma dessas dinâmicas, um aluno em especial, Djonatha, falou a respeito da rede social, justamente utilizando a frase que aparece no espaço do face, aguardando nossa postagem. E fez a pergunta a nós: 'No que você está pensando?'


Como temos a nossa intimidade invadida de modo consentido? Temos de expor o que estamos fazendo, o que estamos sentindo... E se não temos um facebook? Ah, além de causar estranhamento, somos que meio excluídos de grupos. E ainda somos questionados se não estamos escondendo algo pra não expormos pros outros...


A necessidade de pertencer a um grupo, de ter opinião, de postar algum acontecimento por mais cotidiano e simples que seja... Postar o prato do almoço, o passeio incrível, ou uma piadinha da rede... Tudo tem de ser visto e curtido. Mesmo que estejam ocultando os 'likes' em busca de nos arrancarem alguns vinténs para que alavanquemos com mais seguidores, com mais popularidade virtual.


Os 'digital influencers' vivem assim. Uma visita a algum lugar, vira foto, vira curtida e rende uma graninha. E nós? Ah, sonhamos com que uma ida ao banheiro viralize e sejamos mais famosos que a Gretchen nos 'memes' da vida, ou melhor, da rede.


Porém, JAMAIS poste algo polêmico, porque há a horda dos 'haters'. Todavia, ter algum atrás de nós, gera a popularidade através do choque com seus seguidores. Sempre haverá alguém pra defender você. Uma polêmica gera vários comentários e pode agregar muitos fãs.


As estratégias de como postar, como filmar, o que filmar e como criar canais geram cursos e muito dindim pra quem vive disso. Há parâmetros que devem ser observados. Há tutoriais para tudo isso, entretanto, são 'apenas' tutorias que mais lembram a receita do bolo de caixinha que, querendo ou não, uma hora sola.


O seu canal sonhado pode solar e você se tornar uma piada de mau gosto. Não ser visto nem por sua família. E você terá seu sonho de decolar 'natimorto'. Tão defunto que nem uma boa produtora poderá salvar.


Pois é, antigamente desejava-se a fama e a fortuna. Agora deseja-se igualmente, mas a gente tem que viralizar, causar, ser visto e revisto... e, quem sabe, aparecer no Programa da Eliana no domingo.

Tenho dado aulas de oratória e tido contato com pessoas extremamente ricas em histórias. Pessoas que mostram sua fragilidade em falar em público, expressarem suas ideias, porém revelam-se um arsenal de conteúdo imenso.

Tenho aprendido muito mais do que ensinado. Falo em público sem muito temor e consigo sempre passar o meu recado. Contudo, estudo muito mais pra passar a essas pessoas, da melhor forma possível, como lidarem com seus medos e como seguirem adiante.

Em toda aula, gosto de criar uma dinâmica diferente, onde o aluno é desafiado a falar sobre algo, ler um texto, até mesmo contar uma piada. Entretanto, os momentos mais especiais são quando eles trazem coisas de seu interesse e partilham com o grupo.

Em uma dessas dinâmicas, um aluno em especial, Djonatha, falou a respeito da rede social, justamente utilizando a frase que aparece no espaço do face, aguardando nossa postagem. E fez a pergunta a nós: ‘No que você está pensando?’

Como temos a nossa intimidade invadida de modo consentido? Temos de expor o que estamos fazendo, o que estamos sentindo… E se não temos um facebook? Ah, além de causar estranhamento, somos que meio excluídos de grupos. E ainda somos questionados se não estamos escondendo algo pra não expormos pros outros…

A necessidade de pertencer a um grupo, de ter opinião, de postar algum acontecimento por mais cotidiano e simples que seja… Postar o prato do almoço, o passeio incrível, ou uma piadinha da rede… Tudo tem de ser visto e curtido. Mesmo que estejam ocultando os ‘likes’ em busca de nos arrancarem alguns vinténs para que alavanquemos com mais seguidores, com mais popularidade virtual.

Os ‘digital influencers’ vivem assim. Uma visita a algum lugar, vira foto, vira curtida e rende uma graninha. E nós? Ah, sonhamos com que uma ida ao banheiro viralize e sejamos mais famosos que a Gretchen nos ‘memes’ da vida, ou melhor, da rede.

Porém, JAMAIS poste algo polêmico, porque há a horda dos ‘haters’. Todavia, ter algum atrás de nós, gera a popularidade através do choque com seus seguidores. Sempre haverá alguém pra defender você. Uma polêmica gera vários comentários e pode agregar muitos fãs.

As estratégias de como postar, como filmar, o que filmar e como criar canais geram cursos e muito dindim pra quem vive disso. Há parâmetros que devem ser observados. Há tutoriais para tudo isso, entretanto, são ‘apenas’ tutorias que mais lembram a receita do bolo de caixinha que, querendo ou não, uma hora sola.

O seu canal sonhado pode solar e você se tornar uma piada de mau gosto. Não ser visto nem por sua família. E você terá seu sonho de decolar ‘natimorto’. Tão defunto que nem uma boa produtora poderá salvar.

Pois é, antigamente desejava-se a fama e a fortuna. Agora deseja-se igualmente, mas a gente tem que viralizar, causar, ser visto e revisto… e, quem sabe, aparecer no Programa da Eliana no domingo.

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