Massacre de Suzano acende debate sobre comportamento humano

Especialistas alertam que jogos violentos podem influenciar decisões humanas


O massacre que ocorreu na última semana na Escola Estadual Raul Brasil, localizada na cidade de Suzano, no interior de São Paulo tirou a vida de oito pessoas e deixou outras 11 feridas. Os dois assassinos, um de 17 anos e outro de 25 anos, também morreram.


E a semana encerrou em luto, também, na cidade Christchurch, na Nova Zelândia. Foram ataques a tiros simultâneos contra duas mesquitas que resultaram no assassinato de 49 pessoas e deixaram outras 48 feridas. Com uma câmera em cima do capacete, um dos atiradores postou toda a ação ao vivo pelo Facebook e pelo Instagram. As autoridades locais chegaram a citar o game “Fortnite” como fonte de inspiração usada pelo atirador.


Os fatos recentes acenderam um debate em torno do comportamento humano, sobretudo de adolescentes e jovens. No caso do Brasil a polícia investiga o envolvimento comportamental dos assassinos com jogos violentos, ambiente familiar e bullying.


Mas será que esses fatores podem intervir ou influenciar de fato um ser humano?


A reportagem do Grupo W3 conversou com especialistas e educadores a respeito deste assunto.


Luciana Costa Martineli é diretora da Escola de Educação Básica de Araranguá e chama para a atenção que o problema vai além da segurança dos portões – um vigia segue o protocolo para receber os alunos na entrada e saída nos três turnos de funcionamento. “Acho que devemos ter políticas públicas para trabalhar com a família e ter psicólogos nas escolas estaduais. A culpa não é da escola apenas. Devemos perceber que a sociedade está doente. Tem crianças com 10 anos em depressão. Precisamos tratar esses adolescentes”, observa.


Nas escolas privadas, não é diferente. Para entrar no Colégio Futurão, por exemplo, também é preciso seguir um procedimento de segurança padrão estabelecido pela instituição de ensino privada. “Os pais de alunos e estranhos precisam se identificar na portaria. Já os alunos que estão em horário diferente do período de estudo, são obrigados a assinar uma ata antes de entrar”, disse a coordenadora pedagógica Priscila Possamai da Rosa


Na Polícia Militar de Santa Catarina, a segurança nas escolas, é feita através do programa chamado “ronda escolar”. “Além disso são realizadas vistorias periódicas que prevê a emissão de um laudo de segurança no qual é previsto o cumprimento de alguns itens que podem ser estabelecidos ou modificados. Contudo evitar na sua totalidade um evento semelhante ao de Suzano é utopia. Por isso acreditamos na educação, orientação e avaliação da sanidade mental do ser humano”, afirma o comandante do 19º Batalhão sediado em Araranguá.


Jovem teve pesadelos e alucinações por causa de game


A recifense Dheinyfer Barbosa Paz do Nascimento, de 26 anos, teve um passado viciado no jogo Grand Theft Auto (GTA). Um game famoso e intrigante ao mesmo tempo por apresentar um grau de violência elevado.


“Eu comecei a jogar no ensino fundamental. Isso avançou no ensino médio. Estava viciada mesmo. Acordava, não me alimentava e logo iniciava o jogo. Eu matava prostitutas, velhinhas e outros personagens. Um certo dia tive pesadelos como se eu estivesse no GTA e aqueles personagens, dessa vez, estavam dentro da minha casa, para me aniquilar. Até nas ruas comecei a ter essa falsa impressão. Mas com ajuda da fé resolvi abandonar a prática”, confessa Dheinyfer.


Da cidade de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, a psicóloga Cintia Pereira de Macedo, de 32 anos, conversou com essa reportagem. Ela nos garante que a exposição a jogos violentos pode influenciar o comportamento humano. Porém não garantiu se isso foi o que ocorreu na cidade de Suzano.


“São muitos os fatores psicológicos de uma pessoa que podem levar a um quadro trágico como esse. Podemos elencar a base familiar, insegurança, família disfuncional, busca por controle, falta de empatia, falta de controle do próprio adolescente por não saber limitar suas reações. As vezes passou por uma situação de raiva intensa, por exemplo, já que um deles foi vítima de bullying, mas não soube como proceder. No entanto vale ressaltar que diante de tudo isso a presença dos pais e familiares no sentido relacional com esse indivíduo é fundamental para resolver problemas e extinguir problemas futuros”, ponderou a Psicóloga Cintia.


Para o delegado da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Araranguá, Henrique Gonçalves Muxfeldt, “é que isso acenda o alerta dos pais com relação a postura dos filhos. Porque isso não é comum em nosso país. Além dos aspectos psicológicos dos envolvidos temos que analisar o contexto familiar desses jovens”. O delegado também acredita que a exposição a mídias violentas, como em alguns jogos, por exemplo, pode influenciar e motivar a cometer uma ação irracional por parte do jovem.


Emerson Flávio da Rocha trabalha como orientador no Conselho Tutelar de Araranguá. Ele acredita que em casos de violência e tragédia, como esse de Suzano, a família foi negligente. “Esse adolescente e jovem deixavam vários sinais. Que pais e responsáveis são esses que permitiam e não restringiam isso? Uma solução é que os membros do seio familiar restabeleçam vínculos. Criar relacionamentos, entretenimento e passeios juntos e principalmente estabelecer o diálogo”, incentiva Flávio.

O massacre que ocorreu na última semana na Escola Estadual Raul Brasil, localizada na cidade de Suzano, no interior de São Paulo tirou a vida de oito pessoas e deixou outras 11 feridas. Os dois assassinos, um de 17 anos e outro de 25 anos, também morreram.

E a semana encerrou em luto, também, na cidade Christchurch, na Nova Zelândia. Foram ataques a tiros simultâneos contra duas mesquitas que resultaram no assassinato de 49 pessoas e deixaram outras 48 feridas. Com uma câmera em cima do capacete, um dos atiradores postou toda a ação ao vivo pelo Facebook e pelo Instagram. As autoridades locais chegaram a citar o game “Fortnite” como fonte de inspiração usada pelo atirador.

Os fatos recentes acenderam um debate em torno do comportamento humano, sobretudo de adolescentes e jovens. No caso do Brasil a polícia investiga o envolvimento comportamental dos assassinos com jogos violentos, ambiente familiar e bullying.

Mas será que esses fatores podem intervir ou influenciar de fato um ser humano?

A reportagem do Grupo W3 conversou com especialistas e educadores a respeito deste assunto.

Luciana Costa Martineli é diretora da Escola de Educação Básica de Araranguá e chama para a atenção que o problema vai além da segurança dos portões – um vigia segue o protocolo para receber os alunos na entrada e saída nos três turnos de funcionamento. “Acho que devemos ter políticas públicas para trabalhar com a família e ter psicólogos nas escolas estaduais. A culpa não é da escola apenas. Devemos perceber que a sociedade está doente. Tem crianças com 10 anos em depressão. Precisamos tratar esses adolescentes”, observa.

Nas escolas privadas, não é diferente. Para entrar no Colégio Futurão, por exemplo, também é preciso seguir um procedimento de segurança padrão estabelecido pela instituição de ensino privada. “Os pais de alunos e estranhos precisam se identificar na portaria. Já os alunos que estão em horário diferente do período de estudo, são obrigados a assinar uma ata antes de entrar”, disse a coordenadora pedagógica Priscila Possamai da Rosa

Na Polícia Militar de Santa Catarina, a segurança nas escolas, é feita através do programa chamado “ronda escolar”. “Além disso são realizadas vistorias periódicas que prevê a emissão de um laudo de segurança no qual é previsto o cumprimento de alguns itens que podem ser estabelecidos ou modificados. Contudo evitar na sua totalidade um evento semelhante ao de Suzano é utopia. Por isso acreditamos na educação, orientação e avaliação da sanidade mental do ser humano”, afirma o comandante do 19º Batalhão sediado em Araranguá.

Jovem teve pesadelos e alucinações por causa de game

A recifense Dheinyfer Barbosa Paz do Nascimento, de 26 anos, teve um passado viciado no jogo Grand Theft Auto (GTA). Um game famoso e intrigante ao mesmo tempo por apresentar um grau de violência elevado.

“Eu comecei a jogar no ensino fundamental. Isso avançou no ensino médio. Estava viciada mesmo. Acordava, não me alimentava e logo iniciava o jogo. Eu matava prostitutas, velhinhas e outros personagens. Um certo dia tive pesadelos como se eu estivesse no GTA e aqueles personagens, dessa vez, estavam dentro da minha casa, para me aniquilar. Até nas ruas comecei a ter essa falsa impressão. Mas com ajuda da fé resolvi abandonar a prática”, confessa Dheinyfer.

Da cidade de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, a psicóloga Cintia Pereira de Macedo, de 32 anos, conversou com essa reportagem. Ela nos garante que a exposição a jogos violentos pode influenciar o comportamento humano. Porém não garantiu se isso foi o que ocorreu na cidade de Suzano.

“São muitos os fatores psicológicos de uma pessoa que podem levar a um quadro trágico como esse. Podemos elencar a base familiar, insegurança, família disfuncional, busca por controle, falta de empatia, falta de controle do próprio adolescente por não saber limitar suas reações. As vezes passou por uma situação de raiva intensa, por exemplo, já que um deles foi vítima de bullying, mas não soube como proceder. No entanto vale ressaltar que diante de tudo isso a presença dos pais e familiares no sentido relacional com esse indivíduo é fundamental para resolver problemas e extinguir problemas futuros”, ponderou a Psicóloga Cintia.

Para o delegado da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Araranguá, Henrique Gonçalves Muxfeldt, “é que isso acenda o alerta dos pais com relação a postura dos filhos. Porque isso não é comum em nosso país. Além dos aspectos psicológicos dos envolvidos temos que analisar o contexto familiar desses jovens”. O delegado também acredita que a exposição a mídias violentas, como em alguns jogos, por exemplo, pode influenciar e motivar a cometer uma ação irracional por parte do jovem.

Emerson Flávio da Rocha trabalha como orientador no Conselho Tutelar de Araranguá. Ele acredita que em casos de violência e tragédia, como esse de Suzano, a família foi negligente. “Esse adolescente e jovem deixavam vários sinais. Que pais e responsáveis são esses que permitiam e não restringiam isso? Uma solução é que os membros do seio familiar restabeleçam vínculos. Criar relacionamentos, entretenimento e passeios juntos e principalmente estabelecer o diálogo”, incentiva Flávio.

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