Mais de 30 funcionários do HRA afastados por suspeita de Covid-19 e estado de greve

Reportagem do Portal W3 buscou informações com Sindisaúde e Imas. Confira:

Por Dyessica Abadi

Com o aumento da disseminação do Novo Coronavírus em Santa Catarina, a situação nos hospitais é alarmante. A superlotação de pacientes tem afetado diretamente os profissionais da saúde que estão sofrendo com a sobrecarga de trabalho e medo da contaminação. Nesta quinta-feira, 23, 15 dos 16 leitos da UTI Covid-19 e do setor de infectologia do Hospital Regional de Araranguá (HRA) estavam ocupados. Os dados são do último Boletim Epidemiológico da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC), divulgado nesta sexta-feira, 24 (acesse clicando aqui).

Exaustão e sobrecarga de trabalho


A redação do Portal W3 entrou em contato com o Sindisaúde, entidade que representa os trabalhadores da área da saúde de Santa Catarina, para entender essa situação que faz parte da crise de saúde pública brasileira. Segundo o diretor do Sindisaúde, Cléber Cândido, há superlotação de infectados por Covid-19 e falta de funcionários no Hospital Regional de Araranguá. "Há outras patologias também, mas principalmente em relação ao vírus, o setor de UTI está lotado. Também há falta de funcionários, o que causa uma sobrecarga nos trabalhadores", revela.

A entidade recebe reclamações de acompanhantes de pacientes que realizam denúncias sobre a falta de funcionários no local e a exaustão daqueles que estão trabalhando. "As medicações são dadas atrasadas porque quem está trabalhando não esta dando conta de medicar todos e dar o atendimento adequado aos pacientes. Quem está trabalhando, não está dando conta", destaca Cléber Cândido. O representante do sindicato explica que a entidade está em constante diálogo com a gerência do HRA: "já conversamos inclusive com a direção, que alega não encontrar profissionais para trabalhar na região".

Mais de 30 profissionais do HRA afastados por conta da Covid-19


Outro problema é o desfalque do quadro de funcionários causado pelo afastamento daqueles com suspeita de Covid-19. De acordo com o diretor do Sindisaúde, Cléber Cândido, foram afastados mais de 30 funcionários do HRA entre grupo de risco e funcionários com suspeita de estarem infectados pelo vírus. "Por protocolo, todos os trabalhadores que tenham qualquer sintoma gripal ou febre são afastados por sete dias. Eles realizam o teste rápido e, caso negativado, voltam a trabalhar. Se o resultado for positivo, eles ficam mais sete dias afastados. O que é fato e acontece muito nos hospitais aqui na região, tanto afastados por Covid-19, quanto por outros motivos", explica.

O Portal W3 entrou em contato com a assessoria de imprensa do HRA no dia 17 de julho para verificar se houve afastamento de funcionários da instituição por conta da Covid-19. A resposta foi a seguinte: "Não passamos esse tipo de informação para preservar a imagem dos funcionários". O Hospital Regional de Araranguá é gerido pelo Instituto Maria Schmitt (IMAS) e alega não ser referência para o tratamento de Covid-19.

Conforme o diretor do Sindisaúde, Cléber Cândido, o sindicato solicitou desde o início da pandemia os dados referentes aos funcionários afetados. "Numa situação dessas (de pandemia) é comum o trabalhador da saúde pegar algum a doença, mesmo tomando todos os cuidados, mesmo com os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e protocolos de afastamento. Não tem como todos escaparem de se contaminar, porque é difícil trabalhar com a saúde das pessoas. Tem que ter o cuidado", destaca.

Trabalhadores infectados ou com suspeita tem valores descontados


O diretor do Sindisaúde ainda revela que os trabalhadores que tem o afastamento compulsório por Covid-19 não recebem valor de incentivo mensal da empresa por frequência integral. No dia 10 de julho, o sindicato encaminhou ao diretor geral do HRA ofício solicitando a restituição do valor, alegando que os funcionários com suspeita ou infectados estão afastados por conta de determinação do governo do Estado, para não contaminar outros profissionais ou até mesmo pacientes.

O HRA respondeu no dia 13 de julho que o valor seria descontado, pois, de acordo com a redação da cláusula décima terceira "qualquer falta ao trabalho a qualquer título no mês, importará na perda do respectivo prêmio". Segundo a instituição, mesmo com a justificativa de atestado médico em razão de suspeita de Covid-19, a cláusula citada permite o não pagamento do prêmio.

Em resposta, o Sindisaúde argumenta: "Todos os trabalhadores afastados compulsoriamente não poderão ter nenhum prejuízo em seus salários, como vem acontecendo com os trabalhadores deste hospital ao não receberem seu prêmio incentivo mensal. Pois bem, falando em incentivo, como pode uma empresa que presta serviço de saúde em que seus funcionários estão diretamente a frente no atendimento da Covid 19, ter seus salários diminuídos por ficarem doentes durante a batalha para salvar vidas? Isso é uma afronta aos princípios mínimos da HUMANIZAÇÃO dentro de um hospital".

Por fim, o HRA reforçou o posicionamento anterior e completou: "os profissionais que não apresentarem atestado sendo justificado o resultado positivo para Covid-19 perderão o prêmio, pois já abrimos exceção para aqueles que confirmaram atestado positivo para Covid-19, sendo neste último caso não descontado o prêmio".

Leia o Ofício Nº 074/2020 do Sindisaúde aqui. Leia a resposta do HRA aqui.

Leia o Ofício Nº 085/2020 do Sindisaúde aqui. Leia a resposta do HRA aqui.

Sem reajustes salariais desde março, proposta poderá entrar em estado de greve


O diretor do Sindisaúde, Cléber Cândido, revela que a categoria passa por uma negociação com o HRA sobre os reajustes salariais que deveriam ter sido repassados aos trabalhadores em março deste ano. "Na próxima semana teremos as assembleias e faremos um plebiscito onde os trabalhadores vão definir se concordamos ou não com a proposta feita pelo hospital. Esperamos que seja uma proposta razoável. Caso contrário, ela poderá ser encaminhada para um estado de greve. Iremos aguardar", conclui o representante.

 

Por Dyessica Abadi

Com o aumento da disseminação do Novo Coronavírus em Santa Catarina, a situação nos hospitais é alarmante. A superlotação de pacientes tem afetado diretamente os profissionais da saúde que estão sofrendo com a sobrecarga de trabalho e medo da contaminação. Nesta quinta-feira, 23, 15 dos 16 leitos da UTI Covid-19 e do setor de infectologia do Hospital Regional de Araranguá (HRA) estavam ocupados. Os dados são do último Boletim Epidemiológico da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC), divulgado nesta sexta-feira, 24 (acesse clicando aqui).

Exaustão e sobrecarga de trabalho

A redação do Portal W3 entrou em contato com o Sindisaúde, entidade que representa os trabalhadores da área da saúde de Santa Catarina, para entender essa situação que faz parte da crise de saúde pública brasileira. Segundo o diretor do Sindisaúde, Cléber Cândido, há superlotação de infectados por Covid-19 e falta de funcionários no Hospital Regional de Araranguá. “Há outras patologias também, mas principalmente em relação ao vírus, o setor de UTI está lotado. Também há falta de funcionários, o que causa uma sobrecarga nos trabalhadores”, revela.

A entidade recebe reclamações de acompanhantes de pacientes que realizam denúncias sobre a falta de funcionários no local e a exaustão daqueles que estão trabalhando. “As medicações são dadas atrasadas porque quem está trabalhando não esta dando conta de medicar todos e dar o atendimento adequado aos pacientes. Quem está trabalhando, não está dando conta”, destaca Cléber Cândido. O representante do sindicato explica que a entidade está em constante diálogo com a gerência do HRA: “já conversamos inclusive com a direção, que alega não encontrar profissionais para trabalhar na região”.

Mais de 30 profissionais do HRA afastados por conta da Covid-19

Outro problema é o desfalque do quadro de funcionários causado pelo afastamento daqueles com suspeita de Covid-19. De acordo com o diretor do Sindisaúde, Cléber Cândido, foram afastados mais de 30 funcionários do HRA entre grupo de risco e funcionários com suspeita de estarem infectados pelo vírus. “Por protocolo, todos os trabalhadores que tenham qualquer sintoma gripal ou febre são afastados por sete dias. Eles realizam o teste rápido e, caso negativado, voltam a trabalhar. Se o resultado for positivo, eles ficam mais sete dias afastados. O que é fato e acontece muito nos hospitais aqui na região, tanto afastados por Covid-19, quanto por outros motivos”, explica.

O Portal W3 entrou em contato com a assessoria de imprensa do HRA no dia 17 de julho para verificar se houve afastamento de funcionários da instituição por conta da Covid-19. A resposta foi a seguinte: “Não passamos esse tipo de informação para preservar a imagem dos funcionários”. O Hospital Regional de Araranguá é gerido pelo Instituto Maria Schmitt (IMAS) e alega não ser referência para o tratamento de Covid-19.

Conforme o diretor do Sindisaúde, Cléber Cândido, o sindicato solicitou desde o início da pandemia os dados referentes aos funcionários afetados. “Numa situação dessas (de pandemia) é comum o trabalhador da saúde pegar algum a doença, mesmo tomando todos os cuidados, mesmo com os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e protocolos de afastamento. Não tem como todos escaparem de se contaminar, porque é difícil trabalhar com a saúde das pessoas. Tem que ter o cuidado”, destaca.

Trabalhadores infectados ou com suspeita tem valores descontados

O diretor do Sindisaúde ainda revela que os trabalhadores que tem o afastamento compulsório por Covid-19 não recebem valor de incentivo mensal da empresa por frequência integral. No dia 10 de julho, o sindicato encaminhou ao diretor geral do HRA ofício solicitando a restituição do valor, alegando que os funcionários com suspeita ou infectados estão afastados por conta de determinação do governo do Estado, para não contaminar outros profissionais ou até mesmo pacientes.

O HRA respondeu no dia 13 de julho que o valor seria descontado, pois, de acordo com a redação da cláusula décima terceira “qualquer falta ao trabalho a qualquer título no mês, importará na perda do respectivo prêmio”. Segundo a instituição, mesmo com a justificativa de atestado médico em razão de suspeita de Covid-19, a cláusula citada permite o não pagamento do prêmio.

Em resposta, o Sindisaúde argumenta: “Todos os trabalhadores afastados compulsoriamente não poderão ter nenhum prejuízo em seus salários, como vem acontecendo com os trabalhadores deste hospital ao não receberem seu prêmio incentivo mensal. Pois bem, falando em incentivo, como pode uma empresa que presta serviço de saúde em que seus funcionários estão diretamente a frente no atendimento da Covid 19, ter seus salários diminuídos por ficarem doentes durante a batalha para salvar vidas? Isso é uma afronta aos princípios mínimos da HUMANIZAÇÃO dentro de um hospital”.

Por fim, o HRA reforçou o posicionamento anterior e completou: “os profissionais que não apresentarem atestado sendo justificado o resultado positivo para Covid-19 perderão o prêmio, pois já abrimos exceção para aqueles que confirmaram atestado positivo para Covid-19, sendo neste último caso não descontado o prêmio”.

Leia o Ofício Nº 074/2020 do Sindisaúde aqui. Leia a resposta do HRA aqui.

Leia o Ofício Nº 085/2020 do Sindisaúde aqui. Leia a resposta do HRA aqui.

Sem reajustes salariais desde março, proposta poderá entrar em estado de greve

O diretor do Sindisaúde, Cléber Cândido, revela que a categoria passa por uma negociação com o HRA sobre os reajustes salariais que deveriam ter sido repassados aos trabalhadores em março deste ano. “Na próxima semana teremos as assembleias e faremos um plebiscito onde os trabalhadores vão definir se concordamos ou não com a proposta feita pelo hospital. Esperamos que seja uma proposta razoável. Caso contrário, ela poderá ser encaminhada para um estado de greve. Iremos aguardar”, conclui o representante.

 

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