Blog da Léia Batista: Está faltando Noé

Que estamos vivendo um momento muito complicado, não é novidade para ninguém. Aliás, podemos dizer que estamos todos atravessando a mesma tempestade no mesmo barco, embora alguns a enfrentem da primeira classe e outros do porão. Uma espécie de sequestro, cheguei a comparar, em que perdemos o controle da própria vida e passamos a seguir determinações que contrariam a nossa vontade e necessidade, em um espaço limitado e sufocante.


Analisando o ponto em que estamos, vejo que atravessamos as maiores ondas, tivemos picos de medo, ameaças de desespero e, por fim, chegamos a um momento de calmaria que se mostra mais ameaçador do que o ápice da tempestade. Chegamos ao ponto em que não precisamos mais lutar para sobreviver, já que as ondas aparentemente se acalmaram, porém não sabemos para onde ir. Estamos num barco à deriva!


Em momentos pensamos em deitar no convés e dormir até chegar em terra firme, às vezes nos pegamos articulando estratégias para chegarmos em terra firme mais rápido, noutras apenas olhamos para o horizonte sem ter certeza de que existe mesmo uma terra firme. A motivação que, de vez em quando, vem provocar a pegar um bote salva vidas e procurar por uma promissora ilha deserta para repovoá-la, desaparece tão rápido como chegou, como uma miragem.


Embora sejamos otimistas e acreditemos que tudo seja para melhor, que no final do dilúvio vamos descer num campo verde e recomeçar a cultivá-lo com esperança e êxito, não é fácil! Os lamentos que tenho ouvido, de crianças, jovens e adultos, não deixam dúvida de que esta reclusão compulsória têm causado danos emocionais capazes de adoecer mais do que o vírus. De maneira surpreendentemente positiva, os idosos – que contraditoriamente compõem o grupo de risco, são os que melhor estão lidando com a clausura, afinal não houve nenhuma mudança drástica para quem já costumava ficar em casa e vivia de pensão ou aposento.


Contudo, para os que viviam ativamente em grupo produzindo, criando, descobrindo, interagindo, vivendo, está sendo angustiante! Nenhum Youtuber, nem os professores mais criativos, nem os mais famosos protagonistas de lives são capazes de suprir a lacuna emocional que o confinamento de tantos dias tem causado. É algo a ser analisado com muito cuidado, assim como a prevenção ao vírus que causou tudo isso. Apostar e gritar pelo isolamento ou berrar e agredir pela liberação geral não é solução, “ou oito ou oitenta” é o resultado preferido pelos ignorantes, é preciso que se analise o contexto e o impacto social e psicológico de um afastamento social, e se estude a melhor solução para a amenizar os danos que podem ser irreversíveis em todos os aspectos.


Num barco sem comandante e cheio de marujos brigões, é que estamos vivendo. Enquanto isso pessoas estão adoecendo de várias formas e por vários motivos, não apenas por causa de um vírus. O que fazer? Pode parecer brincadeira, mas chegamos ao ponto em que precisamos agir como Noé: acreditar que existe um propósito maior que nos colocou nessa mesma embarcação. Chegamos ao ponto em que o melhor a se fazer é rezar para que a luz de algum farol nos mostre, o mais rápido possível, a terra firme.


 

CONFIRA ESTA E OUTRAS CRÔNICAS EM: https://leiabatista.com.br/

Que estamos vivendo um momento muito complicado, não é novidade para ninguém. Aliás, podemos dizer que estamos todos atravessando a mesma tempestade no mesmo barco, embora alguns a enfrentem da primeira classe e outros do porão. Uma espécie de sequestro, cheguei a comparar, em que perdemos o controle da própria vida e passamos a seguir determinações que contrariam a nossa vontade e necessidade, em um espaço limitado e sufocante.

Analisando o ponto em que estamos, vejo que atravessamos as maiores ondas, tivemos picos de medo, ameaças de desespero e, por fim, chegamos a um momento de calmaria que se mostra mais ameaçador do que o ápice da tempestade. Chegamos ao ponto em que não precisamos mais lutar para sobreviver, já que as ondas aparentemente se acalmaram, porém não sabemos para onde ir. Estamos num barco à deriva!

Em momentos pensamos em deitar no convés e dormir até chegar em terra firme, às vezes nos pegamos articulando estratégias para chegarmos em terra firme mais rápido, noutras apenas olhamos para o horizonte sem ter certeza de que existe mesmo uma terra firme. A motivação que, de vez em quando, vem provocar a pegar um bote salva vidas e procurar por uma promissora ilha deserta para repovoá-la, desaparece tão rápido como chegou, como uma miragem.

Embora sejamos otimistas e acreditemos que tudo seja para melhor, que no final do dilúvio vamos descer num campo verde e recomeçar a cultivá-lo com esperança e êxito, não é fácil! Os lamentos que tenho ouvido, de crianças, jovens e adultos, não deixam dúvida de que esta reclusão compulsória têm causado danos emocionais capazes de adoecer mais do que o vírus. De maneira surpreendentemente positiva, os idosos – que contraditoriamente compõem o grupo de risco, são os que melhor estão lidando com a clausura, afinal não houve nenhuma mudança drástica para quem já costumava ficar em casa e vivia de pensão ou aposento.

Contudo, para os que viviam ativamente em grupo produzindo, criando, descobrindo, interagindo, vivendo, está sendo angustiante! Nenhum Youtuber, nem os professores mais criativos, nem os mais famosos protagonistas de lives são capazes de suprir a lacuna emocional que o confinamento de tantos dias tem causado. É algo a ser analisado com muito cuidado, assim como a prevenção ao vírus que causou tudo isso. Apostar e gritar pelo isolamento ou berrar e agredir pela liberação geral não é solução, “ou oito ou oitenta” é o resultado preferido pelos ignorantes, é preciso que se analise o contexto e o impacto social e psicológico de um afastamento social, e se estude a melhor solução para a amenizar os danos que podem ser irreversíveis em todos os aspectos.

Num barco sem comandante e cheio de marujos brigões, é que estamos vivendo. Enquanto isso pessoas estão adoecendo de várias formas e por vários motivos, não apenas por causa de um vírus. O que fazer? Pode parecer brincadeira, mas chegamos ao ponto em que precisamos agir como Noé: acreditar que existe um propósito maior que nos colocou nessa mesma embarcação. Chegamos ao ponto em que o melhor a se fazer é rezar para que a luz de algum farol nos mostre, o mais rápido possível, a terra firme.

 

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