Em junho, AMESC tem menor variação no desemprego desde o início da pandemia

A pior baixa foi registrada em abril, com 1.658 demissões e apenas 606 novos empregos

Por Dyessica Abadi

A crise sanitária instaurada pelo Coronavírus gerou impactos instantâneos na economia — sendo os meses de março e abril os mais afetados. A poucos dias de completar cinco meses desde o início da pandemia, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) divulgou os dados mais recentes referentes ao mês de Junho. Aqui na região do Extremo Sul Catarinense, a notícia é tranquilizadora.

O mês de Junho registrou uma variação menor na taxa de desemprego da região: novos 907 empregos formais foram gerados, enquanto ocorreram 1.021 desligamentos. Mesmo que ainda o saldo seja negativo, essa é a menor variação registrada pelo levantamento, com uma diferença negativa de 114 pontos desde o começo da pandemia, em março deste ano.

A pior baixa foi registrada em abril, com 1.658 demissões e apenas 606 novos empregos. O saldo ficou negativo com 1.052 catarinenses perdendo o emprego aqui na região. Desde então, cada vez mais empregos são gerados e as demissões estão diminuindo — a perspectiva é que, gradualmente, a situação vá melhorando.

O gráfico abaixo é interativo e registra os números de admissões e desligamentos no primeiro semestre de 2020. A linha azul demonstra quantas pessoas foram contratadas e a laranja registra quantos funcionários foram demitidos. Clique ou passe o cursor sobre os pontos das linhas — assim, você terá acesso aos números registrados pelos boletins mensais do CAGED.



Atualmente, Araranguá é a cidade que mais gera empregos formais na região, mas é também a que tem mais desligamentos: foram 384 admissões para 454 demissões apenas em junho — um saldo negativo em 70 vagas perdidas no mês. Sombrio vem em segundo lugar na tabela. A pesquisa do CAGED é feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego e tem o objetivo de acompanhar a situação da mão de obra formal no Brasil — logo, ela não contabiliza trabalhadores de serviços que atuam como Microempreendedor Individual (MEI) ou através do Simples Nacional.



De acordo com a coordenadora do Sistema Nacional de Emprego (SINE) de Araranguá, Palmira Afonso, o reflexo da pandemia alterou significativamente o mercado do trabalho. Apesar dos setores do comércio e da indústria terem saldos negativos, ela afirma que o setor de serviços registrou uma alta no mesmo período. "Creio que o fato se dê pelo redirecionamento de trabalhadores que foram demitidos na indústria e no comércio para outros setores. As pessoas viram uma oportunidade de investir no setor de serviços com jardinagem, alimentação, manutenção predial e se reinventaram", destaca a coordenadora do SINE.
O mercado de trabalho já está se reaquecendo. Sou otimista e realista, pelo que estamos sentindo no dia a dia do nosso trabalho, esses números irão melhorar em todos os setores". Palmira Afonso, coordenadora do SINE de Araranguá.

Sombrio tem o menor saldo de empregos formais em 2020


Em relação ao saldo de empregos comparativo entre o primeiro semestre de 2019 e 2020, Sombrio foi a cidade que registrou a maior baixa — foram 698 empregos perdidos, um percentual negativo de 10,97%. Segundo o coordenador do Movimento Econômico da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC), Ailson Piva, o município teve esse déficit por conta da interrupção das atividades nas empresas de confecção de roupas, devido à pandemia de Covid-19.
Sombrio puxou esse números para baixo, pois eles pararam de entregar roupas para São Paulo, que era um dos principais mercados do setor vestuário. De acordo com os dados, tivemos um percentual de negativo de 2,82% dos empregos perdidos na AMESC — esse valor é maior que o Estado, que teve um déficit de 2,58%". Ailson Piva, coordenador do Movimento Econômico da AMESC

[caption id="attachment_64261" align="aligncenter" width="610"] Arte: Divulgação/CAGED[/caption]

Ermo gerou mais empregos formais neste ano


O decréscimo acumulado para a região do Extremo Sul entre 2019 e 2020 é de 1.039 empregos perdidos. "Tivemos muitos extremos: teve município com muita demissão e outros com muita oferta de emprego", explica Ailson. O coordenador destaca o aumento de 9,23% de admissões em Ermo — mesmo durante o período de pandemia, a cidade criou mais empregos do que em 2019. Além dela, Morro Grande e Turvo cresceram em 2,80% e 1,13% em 2020, respectivamente.

Economia da AMESC teve queda mais moderada


De acordo com o coordenador do Movimento Econômico da AMESC, Ailson Piva, o primeiro trimestre de 2020 teve um crescimento econômico de 10% em comparação com o mesmo período do ano passado. "Foi a partir da metade do mês de março que a economia teve a queda de 18,5%", explica. Ainda assim, segundo ele, esse dado é positivo, pois é menor que a queda registrada de 24,76% nos 12 municípios da AMREC (Associação dos Municípios da Região Carbonífera) e de 20,20% no Estado.

Uma das justificativas para o melhor desempenho da AMESC é a economia baseada na agricultura familiar. "Tivemos uma queda menor, porque nossa economia é baseada na agricultura, nossa região é agrícola — diferente da AMREC que é mais industrializada e teve o setor industrial mais afetado pela pandemia de Covid-19", esclarece.
Se observarmos na AMESC, os municípios que tiveram maior queda na economia, também foram os que perderam mais empregos. Então, uma coisa está relacionada a outra". Ailson Piva, coordenador do Movimento Econômico da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC)

O departamento de Movimento Econômico da AMESC é responsável por acompanhar todas as riquezas geradas nos 15 municípios do Extremo Sul Catarinense. A avaliação é feita através da arrecadação municipal de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). "As informações econômicas são referentes ao Valor Adicionado, que é a riqueza econômica produzida pela Industria, Comercio e Agricultura, ficando fora os serviços", conclui.

 

Por Dyessica Abadi

A crise sanitária instaurada pelo Coronavírus gerou impactos instantâneos na economia — sendo os meses de março e abril os mais afetados. A poucos dias de completar cinco meses desde o início da pandemia, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) divulgou os dados mais recentes referentes ao mês de Junho. Aqui na região do Extremo Sul Catarinense, a notícia é tranquilizadora.

O mês de Junho registrou uma variação menor na taxa de desemprego da região: novos 907 empregos formais foram gerados, enquanto ocorreram 1.021 desligamentos. Mesmo que ainda o saldo seja negativo, essa é a menor variação registrada pelo levantamento, com uma diferença negativa de 114 pontos desde o começo da pandemia, em março deste ano.

A pior baixa foi registrada em abril, com 1.658 demissões e apenas 606 novos empregos. O saldo ficou negativo com 1.052 catarinenses perdendo o emprego aqui na região. Desde então, cada vez mais empregos são gerados e as demissões estão diminuindo — a perspectiva é que, gradualmente, a situação vá melhorando.

O gráfico abaixo é interativo e registra os números de admissões e desligamentos no primeiro semestre de 2020. A linha azul demonstra quantas pessoas foram contratadas e a laranja registra quantos funcionários foram demitidos. Clique ou passe o cursor sobre os pontos das linhas — assim, você terá acesso aos números registrados pelos boletins mensais do CAGED.

Atualmente, Araranguá é a cidade que mais gera empregos formais na região, mas é também a que tem mais desligamentos: foram 384 admissões para 454 demissões apenas em junho — um saldo negativo em 70 vagas perdidas no mês. Sombrio vem em segundo lugar na tabela. A pesquisa do CAGED é feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego e tem o objetivo de acompanhar a situação da mão de obra formal no Brasil — logo, ela não contabiliza trabalhadores de serviços que atuam como Microempreendedor Individual (MEI) ou através do Simples Nacional.

De acordo com a coordenadora do Sistema Nacional de Emprego (SINE) de Araranguá, Palmira Afonso, o reflexo da pandemia alterou significativamente o mercado do trabalho. Apesar dos setores do comércio e da indústria terem saldos negativos, ela afirma que o setor de serviços registrou uma alta no mesmo período. “Creio que o fato se dê pelo redirecionamento de trabalhadores que foram demitidos na indústria e no comércio para outros setores. As pessoas viram uma oportunidade de investir no setor de serviços com jardinagem, alimentação, manutenção predial e se reinventaram”, destaca a coordenadora do SINE.

O mercado de trabalho já está se reaquecendo. Sou otimista e realista, pelo que estamos sentindo no dia a dia do nosso trabalho, esses números irão melhorar em todos os setores”. Palmira Afonso, coordenadora do SINE de Araranguá.

Sombrio tem o menor saldo de empregos formais em 2020

Em relação ao saldo de empregos comparativo entre o primeiro semestre de 2019 e 2020, Sombrio foi a cidade que registrou a maior baixa — foram 698 empregos perdidos, um percentual negativo de 10,97%. Segundo o coordenador do Movimento Econômico da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC), Ailson Piva, o município teve esse déficit por conta da interrupção das atividades nas empresas de confecção de roupas, devido à pandemia de Covid-19.

Sombrio puxou esse números para baixo, pois eles pararam de entregar roupas para São Paulo, que era um dos principais mercados do setor vestuário. De acordo com os dados, tivemos um percentual de negativo de 2,82% dos empregos perdidos na AMESC — esse valor é maior que o Estado, que teve um déficit de 2,58%”. Ailson Piva, coordenador do Movimento Econômico da AMESC

Arte: Divulgação/CAGED

Ermo gerou mais empregos formais neste ano

O decréscimo acumulado para a região do Extremo Sul entre 2019 e 2020 é de 1.039 empregos perdidos. “Tivemos muitos extremos: teve município com muita demissão e outros com muita oferta de emprego”, explica Ailson. O coordenador destaca o aumento de 9,23% de admissões em Ermo — mesmo durante o período de pandemia, a cidade criou mais empregos do que em 2019. Além dela, Morro Grande e Turvo cresceram em 2,80% e 1,13% em 2020, respectivamente.

Economia da AMESC teve queda mais moderada

De acordo com o coordenador do Movimento Econômico da AMESC, Ailson Piva, o primeiro trimestre de 2020 teve um crescimento econômico de 10% em comparação com o mesmo período do ano passado. “Foi a partir da metade do mês de março que a economia teve a queda de 18,5%”, explica. Ainda assim, segundo ele, esse dado é positivo, pois é menor que a queda registrada de 24,76% nos 12 municípios da AMREC (Associação dos Municípios da Região Carbonífera) e de 20,20% no Estado.

Uma das justificativas para o melhor desempenho da AMESC é a economia baseada na agricultura familiar. “Tivemos uma queda menor, porque nossa economia é baseada na agricultura, nossa região é agrícola — diferente da AMREC que é mais industrializada e teve o setor industrial mais afetado pela pandemia de Covid-19”, esclarece.

Se observarmos na AMESC, os municípios que tiveram maior queda na economia, também foram os que perderam mais empregos. Então, uma coisa está relacionada a outra”. Ailson Piva, coordenador do Movimento Econômico da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC)

O departamento de Movimento Econômico da AMESC é responsável por acompanhar todas as riquezas geradas nos 15 municípios do Extremo Sul Catarinense. A avaliação é feita através da arrecadação municipal de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “As informações econômicas são referentes ao Valor Adicionado, que é a riqueza econômica produzida pela Industria, Comercio e Agricultura, ficando fora os serviços”, conclui.

 

Compartilhe

Voltar às notícias