Covid e o Impacto 06: Araranguá reescrevendo história através da cultura

Apesar do momento de isolamento social, araranguaenses depositam no fomento cultural a esperança de um retorno melhor aos municípios

Por Dyessica Abadi


É inevitável que o maior município do Vale do Extremo Sul Catarinense carregue um enorme histórico cultural. Araranguá vem crescendo gradativamente à cada ano no que tange aos aspectos do desenvolvimento humano e da preservação ambiental, aliados ao crescimento econômico da cidade. Neste quesito, a Cultura araranguaense surge como força preponderante e agrupadora de todas essas ações — e como em qualquer outro setor, ela também sofreu os efeitos da pandemia mundial do Coronavírus.

Entre diversos outros eventos, ocorreu o cancelamento do evento em comemoração ao Dia do Município, que seria realizado hoje, 03 de abril, data que marca o aniversário de 140 anos da cidade. “Com relação ao aniversário da cidade, nós também tivemos que tomar outras decisões em relação a esse dia, que é um dia tão importante para a cidade, mas que neste momento o mais importante é nos resguardamos para proteger a população”, relembra a diretora do Departamento de Cultura de Araranguá, Micheline Vargas.
São enormes os impactos na cultura do município, assim como no mundo todo. Digamos que, depois que tudo isso passar, nenhum lugar será mais o mesmo. Culturalmente, nós também estamos sofrendo impactos, porque a questão cultural é uma ação humana. Então, o mundo todo está se transformando nesse momento, inclusive, em questões como valores e tudo mais”, Micheline Vargas, diretora do Departamento de Cultura de Araranguá.

Atualmente, o departamento de Cultura está com diversas ações interrompidas, como a digitalização de todo acervo documental do arquivo histórico, o projeto ‘Museu na Escola’ do Museu Histórico de Araranguá e também o lançamento de quatro obras do Edital Ayres Koerig, que seriam lançados nesta semana. “Neste momento, todas as ações estão suspensas e nós estamos aguardando os próximos dias para, ou talvez retomar o funcionamento normal, ou buscar meios e auxílio da tecnologia para a seguir com as atividades. Enquanto Departamento, estamos buscando alternativas junto à tecnologia para poder seguir de alguma maneira com a parte de pesquisa da história do município, com a preservação da memória, e estamos estudando de que maneira fazer isso, porque, por outro lado, nós também temos que entender o momento que o mundo está vivendo”, avalia Micheline Vargas.

Lançamentos de livros e eventos culturais adiados


O historiador de Araranguá, Alexandre Rocha, salienta que a cultura é resultado da obra humana em todas as dimensões e que “seus aspectos traçam o perfil, a identidade e a história de um povo, de uma sociedade, de uma nação”. Neste sentido, o Edital Ayres Koerig relembra a memória e obra do professor Ayres Koerig, que faleceu há poucos anos e dá nome ao concurso literário do Departamento de Cultura. O Edital trata do lançamento de quatro obras literárias. “Nós estamos estudando a possibilidade de lançamento desses livros pela internet, pelos meios digitais, e assim nós vamos buscar também soluções para as outras áreas de atuação”, garante a diretora do Departamento de Cultura, Micheline Vargas. Outro impacto cultural em Araranguá, foi o adiamento da Conferência Municipal de Cultura, que elegeria os novos membros da comissão do Conselho Municipal de Cultura. 

A necessidade do fomento à cultura em Araranguá


Fomentar a cultura no município é lançar luz sobre nossa trajetória histórica, jogar cores e traços sobre nossa arte, seja ela a mais singela ou a mais sofisticada. Fomentar a cultura local é abraçar nosso legado, fazendo dele uma parte e um todo do coletivo, pois não há sujeitos principais ou vultos maiores — todos são sujeitos de si e protagonistas em sua sociedade. Independente de fomento, a cultura segue em construção coletiva. Porém, com fomento, ganha visibilidade e difusão,  despertando nas pessoas, o sentido de pertencimento. Sendo também sua, sentindo-se parte e partícipe, o cidadão se identifica com sua história, as diversas e múltiplas expressões da arte, das tradições e costumes e da história da qual resulta ele e sua geração”, Alexandre Rocha, historiador de Araranguá.

O 140º Aniversário de Araranguá marcado pela quarentena de proteção ao Covid-19


A cidade atualmente vivencia um forte período de isolamento social e interrupção ou diminuição das atividades em determinados setores. Esse é o cenário também em escala estadual, nacional e mundial. Neste ponto, o historiador Alexandre Rocha reconhece a internet como ambiente facilitador e fortalecedor de trocas entre as pessoas durante a quarentena: “o enfrentando à pandemia que assola o mundo e que em 2020 também submeteu os araranguaenses e todos os habitantes ao isolando social, impediu comemorações físicas, mas aproximou as pessoas pelos meios e redes digitais de comunicações que integram e aproximam — o que, de outra forma, seria visto como  fator de afastamento, agora aproxima. As pessoas estão conectadas, talvez como nunca antes”.

Podemos considerar que esta crise sanitária em escala mundial, incentivou à população a se resguardar e avaliar o que realmente é importante para si e sua família. Hoje, aniversário de Araranguá, data marcada pelo 03 de abril, relembra à Alexandre Rocha destacar os pontos positivos do desenvolvimento do nosso município. “Este aniversário, em especial, data tão significativa, será lembrada como um ano localizado num período já tido como de muitas conquistas e transformações nos aspectos do desenvolvimento humano e econômico. Araranguá não se destaca por uma explosão de façanhas nestes sentidos, mas mantém gradual e sustentável caminhada, em que aspectos como o desenvolvimento humano e preservação ambiental se inserem no processo de crescimento econômico com o mesmo valor de importância. Esta visão deve estar pautada em cada momento, época, governo, geração”, declara.

O Turismo aliado às questões culturais do povo


Uma região que atrai turismo, também é uma região rica culturalmente. As história, belezas naturais e feitos humanos atraem o interesse e a apreciação dos forasteiros que buscam um local para descansar e se maravilhar. Santa Catarina é reconhecida como a maior referência no setor turístico na região Sul do Brasil.

Para a Coordenadora de Turismo e Cultura da AMESC, Helen Becker, a Cultura e o Turismo vão ao encontro um do outro. “É uma espécie de junção dos setores que se transformam num só, pois o município de Araranguá possui características tanto geológicas quanto históricas que transcendem ao longo do tempo e faz com que através disso possa se trabalhar com afinco a modalidade segmentada em Turismo Cultural. Acredito que os Departamentos já vêm trabalhando neste sentido. Um bom exemplo foi o recente evento de pesca do peixe Robalo. Neste evento, foi trabalhado a cultura do povo colonizador açoriano e ribeirinho, segmentado ao turismo através do projeto de Campeonato de Pesca”.

Também torna-se importante avaliar o Turismo como uma fonte valiosa para a economia da região. O fomento à cultura da população auxilia, também, no crescimento econômico da nossa região. A referência da Amesc, Helen Becker, complementa: “é de suma importância que se estabeleça cada vez mais idéias de unir os setores para promoção dos destinos e eventos. Quanto mais características culturais arraigadas nos projetos turísticos, maior procura pelo município haverá”.
Observo este momento de resguardo como um exercício de paciência ao ser humano que estava incutido no processo de globalização, com poucas horas para dedicar sua vida a família e dando a maioria do seu tempo ao trabalho fora de casa. Porém uma característica do povo do Extremo Sul do Estado é a alegria. Nosso povo é alegre, não se deixar abater pelo desconhecido, isso também se deve a cultura religiosa que aqui possuímos. É o caso do Santuário mais antigo do Sul do Estado, o da Nossa Senhora Mãe dos Homens que possui muitos fiéis. Há que se pensar também que neste mesmo processo estão as informações digitais, por isso cabe a nós selecionar o que lemos, escrevemos, escutamos e assistimos”. Helen Becker, Coordenadora de Turismo e Cultura da AMESC.

As referências culturais de Araranguá


Para Micheline Vargas, diretora do Departamento de Cultura de Araranguá, é impossível falar de cultura, sem citar a grande rede de conexões da produção humana. “Acredito que a maior referência cultural é justamente a nossa diversidade cultural, a pluralidade cultural de Araranguá. Vejo que essa é a maior referência: são todas as manifestações humanas. Não consigo falar de Cultura destacando apenas um único item, porque cada elemento que tu pensa em destacar, tu percebe o quanto que gira em torno da diversidade cultural”, avalia.

Objetivando disseminar a história da cultura araranguaense, a coordenadora da AMESC, Helen Becker, deixa como sugestão aos leitores o livro que está no acervo do Museu Municipal e, inclusive, também faz parte da Academia Brasileira de Letras no Rio de Janeiro: “A História de Araranguá”, escrito por Padre Paulo Hobold.

Além do professor Ayres Koerig, Alexandre Rocha também relembra outras figuras notórias do município: “também Ricardo Grechi, editor do Jornaleco, periódico cultural que circula há 26 anos na cidade. Ainda, Vanderlei de Souza Gomes Jr., escritor... Mas sou de visão plural sobre cultura, de modo que meu olhar tão eclético não vê nesta ou naquela pessoa uma referência de forma isolada”, conclui o historiador.

 

Por Dyessica Abadi

É inevitável que o maior município do Vale do Extremo Sul Catarinense carregue um enorme histórico cultural. Araranguá vem crescendo gradativamente à cada ano no que tange aos aspectos do desenvolvimento humano e da preservação ambiental, aliados ao crescimento econômico da cidade. Neste quesito, a Cultura araranguaense surge como força preponderante e agrupadora de todas essas ações — e como em qualquer outro setor, ela também sofreu os efeitos da pandemia mundial do Coronavírus.

Entre diversos outros eventos, ocorreu o cancelamento do evento em comemoração ao Dia do Município, que seria realizado hoje, 03 de abril, data que marca o aniversário de 140 anos da cidade. “Com relação ao aniversário da cidade, nós também tivemos que tomar outras decisões em relação a esse dia, que é um dia tão importante para a cidade, mas que neste momento o mais importante é nos resguardamos para proteger a população”, relembra a diretora do Departamento de Cultura de Araranguá, Micheline Vargas.

São enormes os impactos na cultura do município, assim como no mundo todo. Digamos que, depois que tudo isso passar, nenhum lugar será mais o mesmo. Culturalmente, nós também estamos sofrendo impactos, porque a questão cultural é uma ação humana. Então, o mundo todo está se transformando nesse momento, inclusive, em questões como valores e tudo mais”, Micheline Vargas, diretora do Departamento de Cultura de Araranguá.

Atualmente, o departamento de Cultura está com diversas ações interrompidas, como a digitalização de todo acervo documental do arquivo histórico, o projeto ‘Museu na Escola’ do Museu Histórico de Araranguá e também o lançamento de quatro obras do Edital Ayres Koerig, que seriam lançados nesta semana. “Neste momento, todas as ações estão suspensas e nós estamos aguardando os próximos dias para, ou talvez retomar o funcionamento normal, ou buscar meios e auxílio da tecnologia para a seguir com as atividades. Enquanto Departamento, estamos buscando alternativas junto à tecnologia para poder seguir de alguma maneira com a parte de pesquisa da história do município, com a preservação da memória, e estamos estudando de que maneira fazer isso, porque, por outro lado, nós também temos que entender o momento que o mundo está vivendo”, avalia Micheline Vargas.

Lançamentos de livros e eventos culturais adiados

O historiador de Araranguá, Alexandre Rocha, salienta que a cultura é resultado da obra humana em todas as dimensões e que “seus aspectos traçam o perfil, a identidade e a história de um povo, de uma sociedade, de uma nação”. Neste sentido, o Edital Ayres Koerig relembra a memória e obra do professor Ayres Koerig, que faleceu há poucos anos e dá nome ao concurso literário do Departamento de Cultura. O Edital trata do lançamento de quatro obras literárias. “Nós estamos estudando a possibilidade de lançamento desses livros pela internet, pelos meios digitais, e assim nós vamos buscar também soluções para as outras áreas de atuação”, garante a diretora do Departamento de Cultura, Micheline Vargas. Outro impacto cultural em Araranguá, foi o adiamento da Conferência Municipal de Cultura, que elegeria os novos membros da comissão do Conselho Municipal de Cultura. 

A necessidade do fomento à cultura em Araranguá

Fomentar a cultura no município é lançar luz sobre nossa trajetória histórica, jogar cores e traços sobre nossa arte, seja ela a mais singela ou a mais sofisticada. Fomentar a cultura local é abraçar nosso legado, fazendo dele uma parte e um todo do coletivo, pois não há sujeitos principais ou vultos maiores — todos são sujeitos de si e protagonistas em sua sociedade. Independente de fomento, a cultura segue em construção coletiva. Porém, com fomento, ganha visibilidade e difusão,  despertando nas pessoas, o sentido de pertencimento. Sendo também sua, sentindo-se parte e partícipe, o cidadão se identifica com sua história, as diversas e múltiplas expressões da arte, das tradições e costumes e da história da qual resulta ele e sua geração”, Alexandre Rocha, historiador de Araranguá.

O 140º Aniversário de Araranguá marcado pela quarentena de proteção ao Covid-19

A cidade atualmente vivencia um forte período de isolamento social e interrupção ou diminuição das atividades em determinados setores. Esse é o cenário também em escala estadual, nacional e mundial. Neste ponto, o historiador Alexandre Rocha reconhece a internet como ambiente facilitador e fortalecedor de trocas entre as pessoas durante a quarentena: “o enfrentando à pandemia que assola o mundo e que em 2020 também submeteu os araranguaenses e todos os habitantes ao isolando social, impediu comemorações físicas, mas aproximou as pessoas pelos meios e redes digitais de comunicações que integram e aproximam — o que, de outra forma, seria visto como  fator de afastamento, agora aproxima. As pessoas estão conectadas, talvez como nunca antes”.

Podemos considerar que esta crise sanitária em escala mundial, incentivou à população a se resguardar e avaliar o que realmente é importante para si e sua família. Hoje, aniversário de Araranguá, data marcada pelo 03 de abril, relembra à Alexandre Rocha destacar os pontos positivos do desenvolvimento do nosso município. “Este aniversário, em especial, data tão significativa, será lembrada como um ano localizado num período já tido como de muitas conquistas e transformações nos aspectos do desenvolvimento humano e econômico. Araranguá não se destaca por uma explosão de façanhas nestes sentidos, mas mantém gradual e sustentável caminhada, em que aspectos como o desenvolvimento humano e preservação ambiental se inserem no processo de crescimento econômico com o mesmo valor de importância. Esta visão deve estar pautada em cada momento, época, governo, geração”, declara.

O Turismo aliado às questões culturais do povo

Uma região que atrai turismo, também é uma região rica culturalmente. As história, belezas naturais e feitos humanos atraem o interesse e a apreciação dos forasteiros que buscam um local para descansar e se maravilhar. Santa Catarina é reconhecida como a maior referência no setor turístico na região Sul do Brasil.

Para a Coordenadora de Turismo e Cultura da AMESC, Helen Becker, a Cultura e o Turismo vão ao encontro um do outro. “É uma espécie de junção dos setores que se transformam num só, pois o município de Araranguá possui características tanto geológicas quanto históricas que transcendem ao longo do tempo e faz com que através disso possa se trabalhar com afinco a modalidade segmentada em Turismo Cultural. Acredito que os Departamentos já vêm trabalhando neste sentido. Um bom exemplo foi o recente evento de pesca do peixe Robalo. Neste evento, foi trabalhado a cultura do povo colonizador açoriano e ribeirinho, segmentado ao turismo através do projeto de Campeonato de Pesca”.

Também torna-se importante avaliar o Turismo como uma fonte valiosa para a economia da região. O fomento à cultura da população auxilia, também, no crescimento econômico da nossa região. A referência da Amesc, Helen Becker, complementa: “é de suma importância que se estabeleça cada vez mais idéias de unir os setores para promoção dos destinos e eventos. Quanto mais características culturais arraigadas nos projetos turísticos, maior procura pelo município haverá”.

Observo este momento de resguardo como um exercício de paciência ao ser humano que estava incutido no processo de globalização, com poucas horas para dedicar sua vida a família e dando a maioria do seu tempo ao trabalho fora de casa. Porém uma característica do povo do Extremo Sul do Estado é a alegria. Nosso povo é alegre, não se deixar abater pelo desconhecido, isso também se deve a cultura religiosa que aqui possuímos. É o caso do Santuário mais antigo do Sul do Estado, o da Nossa Senhora Mãe dos Homens que possui muitos fiéis. Há que se pensar também que neste mesmo processo estão as informações digitais, por isso cabe a nós selecionar o que lemos, escrevemos, escutamos e assistimos”. Helen Becker, Coordenadora de Turismo e Cultura da AMESC.

As referências culturais de Araranguá

Para Micheline Vargas, diretora do Departamento de Cultura de Araranguá, é impossível falar de cultura, sem citar a grande rede de conexões da produção humana. “Acredito que a maior referência cultural é justamente a nossa diversidade cultural, a pluralidade cultural de Araranguá. Vejo que essa é a maior referência: são todas as manifestações humanas. Não consigo falar de Cultura destacando apenas um único item, porque cada elemento que tu pensa em destacar, tu percebe o quanto que gira em torno da diversidade cultural”, avalia.

Objetivando disseminar a história da cultura araranguaense, a coordenadora da AMESC, Helen Becker, deixa como sugestão aos leitores o livro que está no acervo do Museu Municipal e, inclusive, também faz parte da Academia Brasileira de Letras no Rio de Janeiro: “A História de Araranguá”, escrito por Padre Paulo Hobold.

Além do professor Ayres Koerig, Alexandre Rocha também relembra outras figuras notórias do município: “também Ricardo Grechi, editor do Jornaleco, periódico cultural que circula há 26 anos na cidade. Ainda, Vanderlei de Souza Gomes Jr., escritor… Mas sou de visão plural sobre cultura, de modo que meu olhar tão eclético não vê nesta ou naquela pessoa uma referência de forma isolada”, conclui o historiador.

 

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