BR Shopping tem um investidor interessado em dar nova cara para o local

  Dívida dos proprietários do imóvel com IPTU não chega a R$100 mil. Processo de desapropriação cogitado pela população sairia caro para prefeitura

O imponente BR Shopping construído na marginal do antigo traçado da BR 101, em Araranguá, virou nos últimos anos objeto de muitas discussões envolvendo população, os proprietários das quase 60 salas do imóvel e as administrações municipais que ao longo dos anos tiveram que conviver com os problemas gerados pelo abandono do imóvel.

Atualmente - o empreendimento construído para servir de centro comercial do vestuário – é reduto para usuários de drogas, ponto de prostituição e acúmulo de lixo. A reportagem do Portal W3 esteve no local e pelas condições e o mau cheiro constatou a situação, que é considerada calamitosa e desvaloriza também todos os demais imóveis daquela região.

Um funcionário de uma empresa vizinha, que chamaremos de José porque ele teme represálias, contou que no período da tarde em torno de 15 pessoas entre prostitutas, traficantes e dependentes químicos transitam pelo local. Segundo, José, a polícia faz algumas aparições esporádicas, mas não toma providência para conter a situação. “Tem muitos carros que passam para pegar as mulheres. Algumas fazem programas até dentro do shopping naquelas condições. Tem duas pessoas morando lá dentro e nosso sentimento é de insegurança porque vimos cada cena que é repugnante”, contou.



Quem é o responsável pela situação?

A Polícia Militar responsável pelas rondas em pontos críticos como estes não respondeu a nossa reportagem. A administração municipal, no entanto, afirma acompanhar a situação.

De acordo com o secretário de Planejamento, Francisco Diello, todas as providências possíveis foram tomadas, mas como é propriedade privada, o município tem limitações para interferir no caso. “Desde 2017 nós notificamos os proprietários das salas para tomar providências. Já foi estudada a possibilidade de desapropriar o local, mas o município teria que desembolsar em torno de R$1,5 milhão para todo o processo e não temos nenhum projeto para o local, então sairia muito caro assumirmos a propriedade porque, além disso, o custo da reforma gira em torno de R$500 mil. Não dá de aproveitar nada”, contou.



Diello também lembrou projetos realizados pela secretaria de Assistência Social. “Desde 2017 a secretária, Alice, acompanha os moradores de rua que se instalam ali. As outras situações são questões que não envolvem só a administração, mas os proprietários também”. Inclusive, no setor fiscal da prefeitura, consta a dívida dos proprietários das salas do BR Shopping, em menos de R$100 mil. “Tem vinte e cinco proprietários em dia com os impostos. Tudo o que é possível para limpeza em volta, coleta do lixo é feito. Dentro do imóvel e proibir as pessoas de estarem ali não é nossa função como administração pública”, rebate.

A administração alega ainda que a situação está sem controle. Inclusive, já notificou os proprietários para impedir o acesso ao interior do imóvel. “Foi impedido o acesso algumas vezes, mas as pessoas de rua que usam o local quebraram os obstáculos e invadiram novamente”, contou.

Existe a informação que o Ministério Público através da 4ª Promotoria de Justiça ingressou recentemente com uma ação contra o município cobrando providências. Em diversas tentativas de buscar detalhes a respeito, nossa reportagem também não obteve resposta. Um dos promotores não atendeu nossas ligações nesta manhã, 19, no horário combinado. O órgão não está atendendo presencialmente em razão da pandemia.

Até o fim da edição desta matéria, o prefeito, Mariano Mazzuco, também não tinha sido comunicado pelo Judiciário da suposta ação.

Para o secretário, Diello, a população tem cobrado que o município desaproprie a área. Um processo de desapropriação necessita a comprovação da utilidade pública. “As pessoas tem que entender que são vários donos, então o processo é individualizado e alguns estão em dia com os impostos. Teríamos que pagar todas as salas, depois colocar o imóvel em leilão e provavelmente o município teria prejuízo financeiro. Será que a população estaria disposta a arcar isso? Por que o dinheiro sai do bolso do cidadão”, questionou o secretário.

Investidor interessado

O BR Shopping está avaliado em R$1,5, cada sala está sendo vendida por aproximadamente R$5 mil. Existem 66 matrículas no imóvel e pelo menos dois investidores proprietários da maioria das salas. Um deles, que conversou com o Portal W3 e não quer ser identificado, disse ter adquirido recentemente 15 salas.

Apesar de conhecer a triste realidade do local, o interesse deste investidor é demolir a estrutura e construir um prédio com salas comerciais. Como é ligado ao ramo imobiliário, o empresário acredita que a região tem apelo comercial e pode se desenvolver. “O prédio não me interessa, quero construir algo novo no local”, adiantou.

Nesta manhã, representantes da administração municipal e o investidor tiveram uma reunião para discutir a situação e tentar contornar o problema.

 

 

O imponente BR Shopping construído na marginal do antigo traçado da BR 101, em Araranguá, virou nos últimos anos objeto de muitas discussões envolvendo população, os proprietários das quase 60 salas do imóvel e as administrações municipais que ao longo dos anos tiveram que conviver com os problemas gerados pelo abandono do imóvel.

Atualmente – o empreendimento construído para servir de centro comercial do vestuário – é reduto para usuários de drogas, ponto de prostituição e acúmulo de lixo. A reportagem do Portal W3 esteve no local e pelas condições e o mau cheiro constatou a situação, que é considerada calamitosa e desvaloriza também todos os demais imóveis daquela região.

Um funcionário de uma empresa vizinha, que chamaremos de José porque ele teme represálias, contou que no período da tarde em torno de 15 pessoas entre prostitutas, traficantes e dependentes químicos transitam pelo local. Segundo, José, a polícia faz algumas aparições esporádicas, mas não toma providência para conter a situação. “Tem muitos carros que passam para pegar as mulheres. Algumas fazem programas até dentro do shopping naquelas condições. Tem duas pessoas morando lá dentro e nosso sentimento é de insegurança porque vimos cada cena que é repugnante”, contou.

Quem é o responsável pela situação?

A Polícia Militar responsável pelas rondas em pontos críticos como estes não respondeu a nossa reportagem. A administração municipal, no entanto, afirma acompanhar a situação.

De acordo com o secretário de Planejamento, Francisco Diello, todas as providências possíveis foram tomadas, mas como é propriedade privada, o município tem limitações para interferir no caso. “Desde 2017 nós notificamos os proprietários das salas para tomar providências. Já foi estudada a possibilidade de desapropriar o local, mas o município teria que desembolsar em torno de R$1,5 milhão para todo o processo e não temos nenhum projeto para o local, então sairia muito caro assumirmos a propriedade porque, além disso, o custo da reforma gira em torno de R$500 mil. Não dá de aproveitar nada”, contou.

Diello também lembrou projetos realizados pela secretaria de Assistência Social. “Desde 2017 a secretária, Alice, acompanha os moradores de rua que se instalam ali. As outras situações são questões que não envolvem só a administração, mas os proprietários também”. Inclusive, no setor fiscal da prefeitura, consta a dívida dos proprietários das salas do BR Shopping, em menos de R$100 mil. “Tem vinte e cinco proprietários em dia com os impostos. Tudo o que é possível para limpeza em volta, coleta do lixo é feito. Dentro do imóvel e proibir as pessoas de estarem ali não é nossa função como administração pública”, rebate.

A administração alega ainda que a situação está sem controle. Inclusive, já notificou os proprietários para impedir o acesso ao interior do imóvel. “Foi impedido o acesso algumas vezes, mas as pessoas de rua que usam o local quebraram os obstáculos e invadiram novamente”, contou.

Existe a informação que o Ministério Público através da 4ª Promotoria de Justiça ingressou recentemente com uma ação contra o município cobrando providências. Em diversas tentativas de buscar detalhes a respeito, nossa reportagem também não obteve resposta. Um dos promotores não atendeu nossas ligações nesta manhã, 19, no horário combinado. O órgão não está atendendo presencialmente em razão da pandemia.

Até o fim da edição desta matéria, o prefeito, Mariano Mazzuco, também não tinha sido comunicado pelo Judiciário da suposta ação.

Para o secretário, Diello, a população tem cobrado que o município desaproprie a área. Um processo de desapropriação necessita a comprovação da utilidade pública. “As pessoas tem que entender que são vários donos, então o processo é individualizado e alguns estão em dia com os impostos. Teríamos que pagar todas as salas, depois colocar o imóvel em leilão e provavelmente o município teria prejuízo financeiro. Será que a população estaria disposta a arcar isso? Por que o dinheiro sai do bolso do cidadão”, questionou o secretário.

Investidor interessado

O BR Shopping está avaliado em R$1,5, cada sala está sendo vendida por aproximadamente R$5 mil. Existem 66 matrículas no imóvel e pelo menos dois investidores proprietários da maioria das salas. Um deles, que conversou com o Portal W3 e não quer ser identificado, disse ter adquirido recentemente 15 salas.

Apesar de conhecer a triste realidade do local, o interesse deste investidor é demolir a estrutura e construir um prédio com salas comerciais. Como é ligado ao ramo imobiliário, o empresário acredita que a região tem apelo comercial e pode se desenvolver. “O prédio não me interessa, quero construir algo novo no local”, adiantou.

Nesta manhã, representantes da administração municipal e o investidor tiveram uma reunião para discutir a situação e tentar contornar o problema.

 

 

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