Blog Thais Gomes: ENTENDENDO O PATRIMÔNIO

Nossa Senhora Mãe dos Homens- A Imagem Andarilha

Foi comemorado no último 4 de maio de 2022, 174 anos da Paróquia Nossa Senhora Mãe do Homens de Araranguá.

É do indefectível Padre Paulo Hobold, essa pérola histórico-afetivo- moralista.

Que fantástico discurso nos legou o Padre Historiador de Araranguá. Deixo a vocês leitores e leitoras, essa narrativa.

Tirem suas próprias conclusões!

(Trechos do Livro -A história de Araranguá- Paulo Hobold)

“Herdada de seus antepassados sempre notável foi a religiosidade da população de Araranguá”

Na história do Brasil, há um fato famoso, talvez o primeiro. Aconteceu em Minas Gerais, em abril de 1770: um homem dedicado a extração de diamantes se sente desenganado pelo mundo e troca os negócios diamantíferos pelos cuidados de erigir um templo em honra a Nossa Senhora Mãe dos Homens.

Em Araranguá tudo começa no ano de 1816. No bairro do Araranguá, o alferes Lino dos Santos fez a solicitação ao bispo do Rio de Janeiro que enviasse uma imagem da Mãe dos Homens, de tamanho bastante grande. Talvez fosse a intenção de Lino, que a imagem fosse destinada a capela de Cangicas, construção ora solicitada.

Ocorre, porém, que mais ou menos três décadas mais tarde, por ensejo da criação da Freguesia, fosse escolhido pela população como sede o lugar onde se localiza atualmente a cidade de Araranguá. Pelo que, como era de normalidade, a imagem solicitada fosse encaminhada para a localidade. Foi o que realmente se verificou. Daí também se compreende porque essa imagem permaneceu tanto tempo retida num empório de Laguna, após sua chegada. Esteve ela, guardada, encaixotada num depósito do Sr. Giovane Tasso. Depois de esclarecida toda a situação local, tomou-se a decisão de busca-lo. Ocorria o ano de 1872 e era Vigário o Padre Cipriano Buonacore. Veio ela por via terrestre, transportada por uma carreta, e chegando no bairro do Araranguá, foi embarcada em três canoas jungidas, atravessando o rio, e sendo depois conduzida novamente em transporte de carreta para a localidade já denominada Araranguá.

Aqui deparou com um difícil problema local, com seu primeiro orago Nosso Senhor dos Passos, por estreiteza de espaço, não pode abriga-la. Muitas histórias são contadas, diversos mitos são conduzidos ao longo do tempo e fatos ganham repercussão tal que não somem do imaginário das pessoas. Estas ocorrências giram sempre em torno das graças alcançadas e dos acontecimentos recheados de mistérios.

Uma entre tantas histórias desvela o requinte folclórico de que se compõe estes mitos, e como coexistentes.

Em decorrência da dificuldade de colocação da imagem em um nicho condizente com sua beleza, sempre mantida encaixotada, a imagem vagou de uma casa para outra.

Sucedeu que nesse vai e vem, ela foi alojada na casa de uma mulher que se governava, isto é, uma mulher airada como se dizia na época. Essa casa estava situada a beira-rio defronte a metade da praça 15 de novembro, atualmente, praça Hercílio luz. A casa era dotada de tijolos a vista, com três salas bastante grandes. Nela aconteceram fatos de inominável escabrosidade. A leviana abriu o caixote. Quando a visitavam clientes, tinha ela por hábito, levantar a indumentária da imagem no interesse de mostra-lhes o corpo perfeito, alvo e lindo, por feitura esmerada.

Fazia isto entre ademanes impudicos e brejeirices indecorosas, e talvez ela assim procedesse para faturar mais alguns cobres em prol de sua profissão. No entanto essa situação nefasta tinha seus dias contados.

Em 10 de março de 1889 um temporal jamais visto desabou sobre a região de Araranguá, com inundações em toda parte. O rio eriçou-se das águas foribundas, ameaçando derribar tudo que estivesse pela frente. Nas imediações da referida casa, antro de perversidade, violentas enxurradas direcionavam-se a ela, cavocando o barranco, roendo-o com temosidade.  Faltava um pequeno espaço até atingir a casa. O povo compreendeu então, por intuição, o que iria acontecer. Era urgente tomar uma providência imediata e remover a imagem para um ponto mais seguro, principalmente mais digno.

Deliberou-se, para tanto, fazer uma procissão, encabeçada pelos maiorais e acompanhada por toda população. Embora a chuva prosseguisse impertinente, as 3 horas da tarde iniciou-se a procissão, conduzindo-se a imagem encaixotada. Mal saíra ela, da casa de perdição, a chuva começou a amainar de intensidade.

Durante o percurso a chuva parou por completo. A nova residência em que se abrigaria a imagem seria a do Sr Victor José Rosa, a qual se localizava, precisamente na área que está instalado atualmente a unidade de saúde Bom Pastor.

Na nova residência a imagem foi retirada da embalagem de madeira e exposta a veneração pública, não se cansando o povo de agradecer o prodígio que presenciara com tamanha emoção.

A casa da nefanda, depois de sofrer profunda reforma, foi adquirida pela intendência municipal, que nela instalou o seu quadro administrativo.

Banidas as alcovas de semiluz e de odor da lascívia, despontou nela a casa o sol do trabalho, que dignifica, ainda mais exercitando em prol da coletividade como rio presente caso.

  • A Imagem da Santa mede 2,05 metros.


 

Nossa Senhora Mãe dos Homens- A Imagem Andarilha

Foi comemorado no último 4 de maio de 2022, 174 anos da Paróquia Nossa Senhora Mãe do Homens de Araranguá.

É do indefectível Padre Paulo Hobold, essa pérola histórico-afetivo- moralista.

Que fantástico discurso nos legou o Padre Historiador de Araranguá. Deixo a vocês leitores e leitoras, essa narrativa.

Tirem suas próprias conclusões!

(Trechos do Livro -A história de Araranguá- Paulo Hobold)

“Herdada de seus antepassados sempre notável foi a religiosidade da população de Araranguá”

Na história do Brasil, há um fato famoso, talvez o primeiro. Aconteceu em Minas Gerais, em abril de 1770: um homem dedicado a extração de diamantes se sente desenganado pelo mundo e troca os negócios diamantíferos pelos cuidados de erigir um templo em honra a Nossa Senhora Mãe dos Homens.

Em Araranguá tudo começa no ano de 1816. No bairro do Araranguá, o alferes Lino dos Santos fez a solicitação ao bispo do Rio de Janeiro que enviasse uma imagem da Mãe dos Homens, de tamanho bastante grande. Talvez fosse a intenção de Lino, que a imagem fosse destinada a capela de Cangicas, construção ora solicitada.

Ocorre, porém, que mais ou menos três décadas mais tarde, por ensejo da criação da Freguesia, fosse escolhido pela população como sede o lugar onde se localiza atualmente a cidade de Araranguá. Pelo que, como era de normalidade, a imagem solicitada fosse encaminhada para a localidade. Foi o que realmente se verificou. Daí também se compreende porque essa imagem permaneceu tanto tempo retida num empório de Laguna, após sua chegada. Esteve ela, guardada, encaixotada num depósito do Sr. Giovane Tasso. Depois de esclarecida toda a situação local, tomou-se a decisão de busca-lo. Ocorria o ano de 1872 e era Vigário o Padre Cipriano Buonacore. Veio ela por via terrestre, transportada por uma carreta, e chegando no bairro do Araranguá, foi embarcada em três canoas jungidas, atravessando o rio, e sendo depois conduzida novamente em transporte de carreta para a localidade já denominada Araranguá.

Aqui deparou com um difícil problema local, com seu primeiro orago Nosso Senhor dos Passos, por estreiteza de espaço, não pode abriga-la. Muitas histórias são contadas, diversos mitos são conduzidos ao longo do tempo e fatos ganham repercussão tal que não somem do imaginário das pessoas. Estas ocorrências giram sempre em torno das graças alcançadas e dos acontecimentos recheados de mistérios.

Uma entre tantas histórias desvela o requinte folclórico de que se compõe estes mitos, e como coexistentes.

Em decorrência da dificuldade de colocação da imagem em um nicho condizente com sua beleza, sempre mantida encaixotada, a imagem vagou de uma casa para outra.

Sucedeu que nesse vai e vem, ela foi alojada na casa de uma mulher que se governava, isto é, uma mulher airada como se dizia na época. Essa casa estava situada a beira-rio defronte a metade da praça 15 de novembro, atualmente, praça Hercílio luz. A casa era dotada de tijolos a vista, com três salas bastante grandes. Nela aconteceram fatos de inominável escabrosidade. A leviana abriu o caixote. Quando a visitavam clientes, tinha ela por hábito, levantar a indumentária da imagem no interesse de mostra-lhes o corpo perfeito, alvo e lindo, por feitura esmerada.

Fazia isto entre ademanes impudicos e brejeirices indecorosas, e talvez ela assim procedesse para faturar mais alguns cobres em prol de sua profissão. No entanto essa situação nefasta tinha seus dias contados.

Em 10 de março de 1889 um temporal jamais visto desabou sobre a região de Araranguá, com inundações em toda parte. O rio eriçou-se das águas foribundas, ameaçando derribar tudo que estivesse pela frente. Nas imediações da referida casa, antro de perversidade, violentas enxurradas direcionavam-se a ela, cavocando o barranco, roendo-o com temosidade.  Faltava um pequeno espaço até atingir a casa. O povo compreendeu então, por intuição, o que iria acontecer. Era urgente tomar uma providência imediata e remover a imagem para um ponto mais seguro, principalmente mais digno.

Deliberou-se, para tanto, fazer uma procissão, encabeçada pelos maiorais e acompanhada por toda população. Embora a chuva prosseguisse impertinente, as 3 horas da tarde iniciou-se a procissão, conduzindo-se a imagem encaixotada. Mal saíra ela, da casa de perdição, a chuva começou a amainar de intensidade.

Durante o percurso a chuva parou por completo. A nova residência em que se abrigaria a imagem seria a do Sr Victor José Rosa, a qual se localizava, precisamente na área que está instalado atualmente a unidade de saúde Bom Pastor.

Na nova residência a imagem foi retirada da embalagem de madeira e exposta a veneração pública, não se cansando o povo de agradecer o prodígio que presenciara com tamanha emoção.

A casa da nefanda, depois de sofrer profunda reforma, foi adquirida pela intendência municipal, que nela instalou o seu quadro administrativo.

Banidas as alcovas de semiluz e de odor da lascívia, despontou nela a casa o sol do trabalho, que dignifica, ainda mais exercitando em prol da coletividade como rio presente caso.

  • A Imagem da Santa mede 2,05 metros.

 

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