Blog Rosane Machado: Onde você sentava?

"A primeira fila sempre foi a dos ditos CDFs, os 'nerds' daquela época, muitas décadas atrás"

Estava lembrando de onde eu sentava em sala de aula. A primeira fila sempre foi a dos ditos CDFs, os 'nerds' daquela época, muitas décadas atrás. A galera do fundão era a bagunceira, a que não se portava como deveria e que era o desafio para qualquer professor.

Havia uma linha tênue, um Equador imaginário que determinava os que teriam êxito, os esforçados, os 'mais ou menos', os fadados a sucessos e insucessos. Às vezes bem na frente sentavam os que tinham necessidades especiais porém, naquele tempo, nem nos dávamos conta disso.

Sofríamos bullying sem saber. Eu era a 'gorda', dávamos apelidos pra todo mundo e não sabíamos que alguns poderiam ter suas vidas marcadas. Sinceramente eu nunca me ofendi com o 'gorda', porque era gorda mesmo. O que mais me ofendia, e até hoje me incomoda, é se alguém me chamar de 'burra'.

Cada um sabe onde seu sapato aperta e tentar calçar o calçado alheio é bobagem, porque claro que não vai ser confortável. Cada um sabe de si e de sua dor, de seu recalque, do que lhe aflige. Se se incomoda quando lhe apontam pela cor de sua pele, de como é o seu cabelo, se é gordo, magro, baixo... Cada pessoa tem o seu motivo, o seu porquê.

Quando criança, quem tinha medo do escuro? Eu nunca tive e tentava entender porque algum primo, prima, amigo tinha. E os monstros embaixo da cama? Não sei se vinha de alguma história que por ventura eu tinha ouvido, mas pensar em olhar pra baixo quando eu deitava... era apavorante.

Como nutrimos medos com fundamento...ou não. Como entender o medo do outro? Como medir? E não adianta dizer que isto ou aquilo é bobagem. Às vezes nem a própria pessoa sabe o motivo... apenas teme.

Medo de palhaço, de aranha, de passar embaixo de escada, de varrer a casa à noite... Muita coisa pode vir de superstição, pode ter uma origem explicável... ou não.

E o homem que roubava crianças? Alguém foi assustado com o tal 'velho do saco'? Penso que era pra que as crianças não se aventurassem sozinhas pela rua. Mesmo os tempos não serem tão perigosos como hoje.

E agora lembro que por diversas ocasiões eu sentei na primeira fila, mas com o tempo fui me deslocando pro final da sala. Porém, não pra bagunçar, mas pra observar. Observar como as pessoas agem, como mudam... o espetáculo de ser e viver... se importar e respeitar... Isto sim é vital.

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Estava lembrando de onde eu sentava em sala de aula. A primeira fila sempre foi a dos ditos CDFs, os ‘nerds’ daquela época, muitas décadas atrás. A galera do fundão era a bagunceira, a que não se portava como deveria e que era o desafio para qualquer professor.

Havia uma linha tênue, um Equador imaginário que determinava os que teriam êxito, os esforçados, os ‘mais ou menos’, os fadados a sucessos e insucessos. Às vezes bem na frente sentavam os que tinham necessidades especiais porém, naquele tempo, nem nos dávamos conta disso.

Sofríamos bullying sem saber. Eu era a ‘gorda’, dávamos apelidos pra todo mundo e não sabíamos que alguns poderiam ter suas vidas marcadas. Sinceramente eu nunca me ofendi com o ‘gorda’, porque era gorda mesmo. O que mais me ofendia, e até hoje me incomoda, é se alguém me chamar de ‘burra’.

Cada um sabe onde seu sapato aperta e tentar calçar o calçado alheio é bobagem, porque claro que não vai ser confortável. Cada um sabe de si e de sua dor, de seu recalque, do que lhe aflige. Se se incomoda quando lhe apontam pela cor de sua pele, de como é o seu cabelo, se é gordo, magro, baixo… Cada pessoa tem o seu motivo, o seu porquê.

Quando criança, quem tinha medo do escuro? Eu nunca tive e tentava entender porque algum primo, prima, amigo tinha. E os monstros embaixo da cama? Não sei se vinha de alguma história que por ventura eu tinha ouvido, mas pensar em olhar pra baixo quando eu deitava… era apavorante.

Como nutrimos medos com fundamento…ou não. Como entender o medo do outro? Como medir? E não adianta dizer que isto ou aquilo é bobagem. Às vezes nem a própria pessoa sabe o motivo… apenas teme.

Medo de palhaço, de aranha, de passar embaixo de escada, de varrer a casa à noite… Muita coisa pode vir de superstição, pode ter uma origem explicável… ou não.

E o homem que roubava crianças? Alguém foi assustado com o tal ‘velho do saco’? Penso que era pra que as crianças não se aventurassem sozinhas pela rua. Mesmo os tempos não serem tão perigosos como hoje.

E agora lembro que por diversas ocasiões eu sentei na primeira fila, mas com o tempo fui me deslocando pro final da sala. Porém, não pra bagunçar, mas pra observar. Observar como as pessoas agem, como mudam… o espetáculo de ser e viver… se importar e respeitar… Isto sim é vital.

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