Blog Rosane Machado: aulas à distância

Coluna Rosane Machado, 25/05/2020

Temos de nos adaptar a tudo. De uns tempos pra cá demoro mais para escolhera máscara que usarei do que minha própria roupa para sair às ruas. Isto quando não esqueço a máscara e volto da porta num abafamento como se estivesse cometendo o maior "haraam" (ah, esta reprise do Clone me hipnotiza)!

E pra exibir minha figura na medina, só protegida. E o estranho ocorre: nas novelas uma pessoa coloca boné e óculos escuros e engana até a polícia federal. Eu de óculos, boné e máscara sou reconhecida a zilhões de distância. Como assim????

E lá vou eu sentindo-me arrastando o sari qual mulher espetaculosa, porque sinto-me em erro, mesmo tendo que sair pra comprar remédios, comida...o estritamente necessário. E no retorno? Entrando sem sapatos, tirando a roupa e passando álcool gel até na alma.

E aí que comecei a dar aulas à distância. Uma modernidade que não é tão moderna assim, porque já fiz graduação desse modo e gostei muito. Porém, quando se começa pessoalmente, fisicamente com os alunos e mudamos a modalidade algo se perde sim. Buscamos manter a qualidade, mas a necessidade do contato humano, o olho no olho (não vale através da câmera) nos rouba tanta coisa...

Começar uma turma sem conhecer os alunos pessoalmente também é estranho. Tentei e foi bem interessante. A gente ouve a voz e alguns abrem a câmera, outras ficam tímidos... Uma até mostrou que estava deitada, mas atenta a tudo em seu celular.

Aprendi que existem programas pra fazermos os encontros, as chamadas reuniões e que um pode ser melhor ou pior que o outro. Até agora o que eu mais gostei foi o Zoom. Quando é aula particular, o Skype é bem-vindo, porém o Discord e o Teams só orando mesmo.

Nasci em uma época em que não havia computador. As máquinas de escrever eram aquelas em que martelávamos as teclas (ou catávamos milho, como se dizia) e as elétricas vieram pra que eu fosse presenteada com minha querida Práxis. Linda, com corretor acoplado... Era o supra sumo do momento.

Meu primeiro PC era aquele da IBM com telinha verde. Adorava jogar o joguinho das tartarugas atravessando a rua ou o saudoso "come come". E quando ia imprimir algo, a matricial barulhenta com sua folha picotada era o "must". Aos poucos também fui me adaptando, aprendendo, errando e me virando pra usar tudo a meu favor. Usar a tecnologia em minhas aulas em folhas prontas para serem copiadas na escola. Depois vieram os power points maravilhosos que sucederam o retroprojetor (que eu amava).

Ah, tempos modernos, vamos nos adaptando, sonhando com o momento em que tudo terá real motivo. Em que as máscaras cairão e poderei sentir novamente o cheiro do giz, escreverei no quadro de fórmica com minhas canetas coloridas... Poderei olhar pros meus alunos de verdade...

Esses momentos serão realmente auspiciosos. Valerão ouro... Inshallah!

Temos de nos adaptar a tudo. De uns tempos pra cá demoro mais para escolhera máscara que usarei do que minha própria roupa para sair às ruas. Isto quando não esqueço a máscara e volto da porta num abafamento como se estivesse cometendo o maior “haraam” (ah, esta reprise do Clone me hipnotiza)!

E pra exibir minha figura na medina, só protegida. E o estranho ocorre: nas novelas uma pessoa coloca boné e óculos escuros e engana até a polícia federal. Eu de óculos, boné e máscara sou reconhecida a zilhões de distância. Como assim????

E lá vou eu sentindo-me arrastando o sari qual mulher espetaculosa, porque sinto-me em erro, mesmo tendo que sair pra comprar remédios, comida…o estritamente necessário. E no retorno? Entrando sem sapatos, tirando a roupa e passando álcool gel até na alma.

E aí que comecei a dar aulas à distância. Uma modernidade que não é tão moderna assim, porque já fiz graduação desse modo e gostei muito. Porém, quando se começa pessoalmente, fisicamente com os alunos e mudamos a modalidade algo se perde sim. Buscamos manter a qualidade, mas a necessidade do contato humano, o olho no olho (não vale através da câmera) nos rouba tanta coisa…

Começar uma turma sem conhecer os alunos pessoalmente também é estranho. Tentei e foi bem interessante. A gente ouve a voz e alguns abrem a câmera, outras ficam tímidos… Uma até mostrou que estava deitada, mas atenta a tudo em seu celular.

Aprendi que existem programas pra fazermos os encontros, as chamadas reuniões e que um pode ser melhor ou pior que o outro. Até agora o que eu mais gostei foi o Zoom. Quando é aula particular, o Skype é bem-vindo, porém o Discord e o Teams só orando mesmo.

Nasci em uma época em que não havia computador. As máquinas de escrever eram aquelas em que martelávamos as teclas (ou catávamos milho, como se dizia) e as elétricas vieram pra que eu fosse presenteada com minha querida Práxis. Linda, com corretor acoplado… Era o supra sumo do momento.

Meu primeiro PC era aquele da IBM com telinha verde. Adorava jogar o joguinho das tartarugas atravessando a rua ou o saudoso “come come”. E quando ia imprimir algo, a matricial barulhenta com sua folha picotada era o “must”. Aos poucos também fui me adaptando, aprendendo, errando e me virando pra usar tudo a meu favor. Usar a tecnologia em minhas aulas em folhas prontas para serem copiadas na escola. Depois vieram os power points maravilhosos que sucederam o retroprojetor (que eu amava).

Ah, tempos modernos, vamos nos adaptando, sonhando com o momento em que tudo terá real motivo. Em que as máscaras cairão e poderei sentir novamente o cheiro do giz, escreverei no quadro de fórmica com minhas canetas coloridas… Poderei olhar pros meus alunos de verdade…

Esses momentos serão realmente auspiciosos. Valerão ouro… Inshallah!

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