Blog João Rosado: Lagoa do Caverá ameaçada?

Para aqueles que não a conhecem, a Lagoa do Caverá está localizada no extremo Sul Catarinense entre os municípios de Araranguá, Balneário Arroio do Silva, Bal. Gaivota e Sombrio. No passado a lagoa foi utilizada para o desenvolvimento da pesca, e hoje está margeada por uma comunidade tipicamente agrícola e pecuarista, além de alguns plantios comerciais de eucalipto e de extração de turfa ao norte. Há alguns anos a preocupação com a preservação da Lagoa foi pauta de discussões entre a comunidade, entidades da região e o Ministério Público, porém sem grandes encaminhamentos. Em junho deste ano, o tema foi novamente discutido em uma das reuniões ordinárias do Conselho Ambiental do Município de Araranguá – COAMA, que levou o assunto para uma reunião da AMESC, com objetivo de obter apoio dos municípios envolvidos. Novamente, sem grande repercussão, provavelmente, por conta da pandemia e pela proximidade das eleições municipais.

Numa avaliação preliminar utilizando-se imagens históricas do google Earth é possível observar que a Lagoa do Caverá vem sofrendo uma perda significativa do seu volume, aparentemente, a partir da década de 90, informação esta, confirmada por moradores antigos da região.



Figura 1. Lagoa do Caverá desde 1984. Fonte: Google earth.

Diante do contexto apresentado, cabe perguntar se esta redução do volume da Lagoa do Caverá é um processo natural ou induzido pelas ações humanas? Infelizmente, existem poucas informações e estudos que possam responder esta pergunta com segurança. Porém, há indícios de se tratar de um processo não natural. Após percorrer a região é possível elencar alguns fatores que podem estar contribuindo para o secamento da lagoa. São eles:

  • O córrego (Sangradouro) que deságua na Lagoa do Caverá está assoreado em diversos pontos, reduzindo o aporte de água para Lagoa;

  • O processo de drenagem das áreas de extração de turfa pode estar lançando nutrientes e sedimentos que contribuem para o assoreamento do Sangradouro e da Lagoa do Caverá;

  • A retificação (retilinização) do córrego que liga a Lagoa do Caverá com a Lagoa do sombrio na década de 60 aumentou a vazão da Lagoa;

  • A retificação (retilinização) do Rio Madeira que liga a Lagoa do Sombrio com o Rio Mampituba, também na década de 60, aumentou a vazão da lagoa para o Rio, contribuindo, consequentemente, para o esvaziamento da Lagoa Caverá.


Vivemos um período em que a preservação de todos mananciais hídricos disponíveis se torna cada vez mais importante para nossa subsistência. Há poucos meses Santa Catarina sofria com a estiagem em vários municípios do Estado, inclusive da região Sul. Grande destaque também foi dado aos desmatamentos na Amazônia e sua influência sobre a redução nas precipitações da região Sul e Sudeste do país. Segundo dados meteorológicos, novas estiagens poderão ainda ocorrer este ano em nossa região por conta dos efeitos do La niña.

Portanto, a Lagoa do Caverá, mesmo não sendo utilizada, até o momento, para o abastecimento público, poderá se tornar um importante manancial hídrico no futuro se sua recuperação e preservação forem fomentados. No entanto, é fundamental que haja um esforço conjunto dos municípios limítrofes (Araranguá, Bal. Arroio do Silva, Bal. Gaivota e Sombrio), com aporte financeiro e contratação de profissionais técnicos de diversas áreas para a realização de um estudo abrangente e detalhado, com o objetivo de identificar as ações mais efetivas para a recuperação deste manancial. Caso contrário, poderemos, em poucas décadas, assistir à transformação da Lagoa do Caverá em um grande banhado turfoso.

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Para aqueles que não a conhecem, a Lagoa do Caverá está localizada no extremo Sul Catarinense entre os municípios de Araranguá, Balneário Arroio do Silva, Bal. Gaivota e Sombrio. No passado a lagoa foi utilizada para o desenvolvimento da pesca, e hoje está margeada por uma comunidade tipicamente agrícola e pecuarista, além de alguns plantios comerciais de eucalipto e de extração de turfa ao norte. Há alguns anos a preocupação com a preservação da Lagoa foi pauta de discussões entre a comunidade, entidades da região e o Ministério Público, porém sem grandes encaminhamentos. Em junho deste ano, o tema foi novamente discutido em uma das reuniões ordinárias do Conselho Ambiental do Município de Araranguá – COAMA, que levou o assunto para uma reunião da AMESC, com objetivo de obter apoio dos municípios envolvidos. Novamente, sem grande repercussão, provavelmente, por conta da pandemia e pela proximidade das eleições municipais.

Numa avaliação preliminar utilizando-se imagens históricas do google Earth é possível observar que a Lagoa do Caverá vem sofrendo uma perda significativa do seu volume, aparentemente, a partir da década de 90, informação esta, confirmada por moradores antigos da região.

Figura 1. Lagoa do Caverá desde 1984. Fonte: Google earth.

Diante do contexto apresentado, cabe perguntar se esta redução do volume da Lagoa do Caverá é um processo natural ou induzido pelas ações humanas? Infelizmente, existem poucas informações e estudos que possam responder esta pergunta com segurança. Porém, há indícios de se tratar de um processo não natural. Após percorrer a região é possível elencar alguns fatores que podem estar contribuindo para o secamento da lagoa. São eles:

  • O córrego (Sangradouro) que deságua na Lagoa do Caverá está assoreado em diversos pontos, reduzindo o aporte de água para Lagoa;
  • O processo de drenagem das áreas de extração de turfa pode estar lançando nutrientes e sedimentos que contribuem para o assoreamento do Sangradouro e da Lagoa do Caverá;
  • A retificação (retilinização) do córrego que liga a Lagoa do Caverá com a Lagoa do sombrio na década de 60 aumentou a vazão da Lagoa;
  • A retificação (retilinização) do Rio Madeira que liga a Lagoa do Sombrio com o Rio Mampituba, também na década de 60, aumentou a vazão da lagoa para o Rio, contribuindo, consequentemente, para o esvaziamento da Lagoa Caverá.

Vivemos um período em que a preservação de todos mananciais hídricos disponíveis se torna cada vez mais importante para nossa subsistência. Há poucos meses Santa Catarina sofria com a estiagem em vários municípios do Estado, inclusive da região Sul. Grande destaque também foi dado aos desmatamentos na Amazônia e sua influência sobre a redução nas precipitações da região Sul e Sudeste do país. Segundo dados meteorológicos, novas estiagens poderão ainda ocorrer este ano em nossa região por conta dos efeitos do La niña.

Portanto, a Lagoa do Caverá, mesmo não sendo utilizada, até o momento, para o abastecimento público, poderá se tornar um importante manancial hídrico no futuro se sua recuperação e preservação forem fomentados. No entanto, é fundamental que haja um esforço conjunto dos municípios limítrofes (Araranguá, Bal. Arroio do Silva, Bal. Gaivota e Sombrio), com aporte financeiro e contratação de profissionais técnicos de diversas áreas para a realização de um estudo abrangente e detalhado, com o objetivo de identificar as ações mais efetivas para a recuperação deste manancial. Caso contrário, poderemos, em poucas décadas, assistir à transformação da Lagoa do Caverá em um grande banhado turfoso.

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